uma boa dose de humor clima-tempo

 

– por Bruna Estevanin

quando chove,
eu chovo,
faz sol,
eu faço,
de noite,
anoiteço,
tem deus,
eu rezo,
não tem,
esqueço,
chove de novo,
de novo, chovo,
assobio no vento,
daqui me vejo,
lá vou eu,
gesto no movimento
Paulo Leminski

Desde a pré-escola, aprendemos a importância dos fenômenos da natureza para o homem. Que o homem não pode viver sem a chuva, sem os ventos, sem o Sol. Conhecimentos básicos sobre o ciclo da vida. Mas ninguém ensina, quer dizer, não me ensinaram, o quanto esses fenômenos todos impactam muito além das cadeias alimentares diversas. O clima, digo, é irmão do equilíbrio, do planeta e do nosso, pois é termômetro do nosso humor.

É tão simples que até mesmo os apaixonados pelo inverno hão de concordar: é muito mais fácil se sentir feliz e positivo em um dia ensolarado. Raios solares parecem ir além do calor físico; parecem trazer certo calor espiritual que é quase capaz de curar todos os males da alma.

Já os dias chuvosos e nublados fazem parte do outro extremo. Mesmo eu, que sempre acreditei, ao contrário da grande maioria, que a chuva sempre traz bom presságio, admito que dias cinzentos deixam muito a desejar no quesito “ânimo” e “disposição”. As nuvens carregadas imploram por um cobertor e pipocas, principalmente se a temperatura estiver baixa.

Dias chublados também tendem a ser excessivamente reflexivos e, coincidentemente ou não, as probabilidades de alguma coisa dar errado sofrem um aumento drástico. Um bad hair day é quase sempre certo.

Particularmente, não consigo me lembrar de algum dia nublado e chuvoso que tenha sido memoravelmente bom, ou apenas memorável.  Faço parte de uma grande maioria que, mesmo sem saber, possui um humor ClimaTempo.  Dependo tão intimamente do sol e das chuvas quanto as terras, plantações que me ensinaram na pré-escola.  E apesar de preferir o frio ao calor, não dispenso um dia ensolarado por nada nesse mundo, principalmente quando tudo insiste em ficar nublado.

Bruna Estevanin

brunaestevanin@gmail.com
Bruna Estevanin

Bruna Estevanin

Bruna é uma jornalista inquieta que adora ouvir histórias e nunca recusa um convite para jogar baralho. Acredita mais em ações que em palavras e as pessoas que enrubescem quando estão envergonhadas são as suas favoritas. Nas horas vagas, ela inventa teorias sobre comportamento humano, rabisca uma ideia e outra e coleciona guardanapos.
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