fonte: http://vejasp.abril.com.br/infograficos/sao-paulo-460-anos

Chegadas e Partidas

“Dá R$104,00, moça”. Foi o que o cobrador disse, quando pedi uma passagem que saísse de Miracema, interior do Rio de Janeiro e fronteira com Minas Gerais, com destino à terra da garoa. Hoje, mais precisamente às 18h50, entro no ônibus sem saber exatamente quando – e se – eu vou voltar.

O carro da Viação Itapemerim que estaciona na única plataforma de embarque da rodoviária de Miracema é de um amarelo que não traduz em nada o clima de São Paulo – na minha cabeça o céu da cidade é sempre pintado em tons de cinza. É nele que eu vou. As poltronas não inclinam tanto quanto deveriam – é apertado demais. Tão apertado que o pequeno vão entre as poltronas me fez, em um raro momento, agradecer à genética pelos 1,56m de altura.

São onze horas nada confortáveis até chegar na velha conhecida rodoviária Tietê, povoada de gente na manhã do aniversário de São Paulo. Fecho os olhos e já imagino que, entre os bocejos de mal humor às sete da manhã, é possível identificar olhos vagos, saudosos, marejados, ansiosos, furiosos e, principalmente, cansados. Olhos de espera. Os meus, com certeza, vão estar só perdidos, procurando pela estação de metrô.

Todas as vezes em que me encontro entre multidões como em rodoviárias e aeroportos, me pergunto qual a história daquelas pessoas e como vieram parar ali. A minha é bem simples: na segunda, dia 27, começa o Curso Abril de Jornalismo e, enquanto estudo, trabalho e descubro o meu destino, vou contar, nos intervalos, um pouco dessas muitas histórias espalhadas pelas ruas de São Paulo e as impressões sobre uma cidade que, aos 460 anos, já observou mais chegadas e partidas que eu, com minha quase nula habilidade com números, sou capaz de contar.

Durante o mês de fevereiro, espero encontrar e viver muitas boas doses de São Paulo. A primeira, contudo, não promete ser muito agradável. O motorista do ônibus amarelo de poltronas apertadas chamou – é hora de embarcar.

Bruna Estevanin

Bruna Estevanin

Bruna é uma jornalista inquieta que adora ouvir histórias e nunca recusa um convite para jogar baralho. Acredita mais em ações que em palavras e as pessoas que enrubescem quando estão envergonhadas são as suas favoritas. Nas horas vagas, ela inventa teorias sobre comportamento humano, rabisca uma ideia e outra e coleciona guardanapos.
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