Pela luz dos olhos teus

 

Como boa amiga que sou, já ouvi incontáveis relatos de pessoas apaixonadas. Uns bem curiosos, inclusive. Mas, por mais diferentes que sejam, concordam todos em um ponto comum: existe sempre algum detalhe, algo específico que dispara o gatilho, que abre a válvula, que desperta o coração.

Uns amigos já me disseram que foi o sorriso – a grande maioria, na verdade – ou o cheiro. Outros são mais minuciosos: se encantam pelo jeito meio desleixado, pelo dar de ombros, pelo andar desconjuntado ou a forma como os dedos mexem no cabelo. Existem também os mais exóticos – a paixonite foi culpa dos pés, das mãos e, acreditem, do pescoço também. Já eu, me apaixono por olhares.

Bendito seja quem descobriu que os olhos são a janela da alma. Eles realmente o são, mas não sozinhos. Globos oculares, retinas e pálpebras não me tocam de maneira alguma. O que me encanta são as expressões, os olhares.

Olhares que choram, que debocham, que se alegram, que sentem medo. Quem consegue fugir ou escapar dos sentimento emanados por eles? Particularmente, prefiro os olhos que sorriem. São neles que me encontro, ou melhor, me perco.

Aos 23 anos, já conheci olhares vazios e olhares pesados. Esses me cansam. Os olhares acompanhados de um par de óculos, por sua vez, me fascinam – me intriga saber o que existe por trás daqueles vidros que refletem a luz do sol e da alma.

Os meus, caso estejam se perguntando, são transparentes. Não consigo esconder, reter, deter os excessos que me habitam em mim. Eles transbordam e os meus olhos, eles me traem. Me delatam sempre que tento disfarçar, quando tento omitir e principalmente quando me apaixono.

É sempre assim: se, pelas esquinas, me deparo com um inesperado batimento descontrolado, basta um deslize, um instante, um breve bater de pálpebras e lá estou eu, me entregando para olhos que sorriem com os meus. Malditos olhos.

 

Bruna Estevanin

Bruna Estevanin

Bruna é uma jornalista inquieta que adora ouvir histórias e nunca recusa um convite para jogar baralho. Acredita mais em ações que em palavras e as pessoas que enrubescem quando estão envergonhadas são as suas favoritas. Nas horas vagas, ela inventa teorias sobre comportamento humano, rabisca uma ideia e outra e coleciona guardanapos.
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