Fonte: Pinterest

Em Ponto.

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“Eu e você” nunca teve ponto de partida e, quando a gente viu, já estava entre parênteses.

 

Sujeitos nunca faziam sentido para você. Por mais determinados que fossem, eles eram implícitos demais ou compostos demais, e você só queria alguém que gostasse dos seus predicados.

Aí a gente começou a se conhecer melhor… Botar os pingos nos “Is”. Todo mundo tem um ponto fraco. A coisa se acentuou quando eu vi que o meu era você.

Tínhamos até um ponto de encontro. Um lugar onde a gente ficava a ponto de explodir… Sempre ali, antes do ponto final. Do dia, da festa, da semana. Era ali que a gente parava de se esconder atrás da vírgula e resolvia ser a gente mesmo.

 

Com o tempo, todas as interrogações sumiram e o juízo ia ficando menor que a vontade de ver o que tem depois, sem pausas.

Eu, você e tudo que foi dito entre aspas. Era só ligar os pontos.

 

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Até que tudo mudou e parecia haver um parágrafo de distância entre nós… Você não se declarava mais em travessões e era nítido que as suas exclamações tinham mudado de tom.

A situação foi ficando complicada, talvez até circunflexa, e você resolveu colocar um ponto final sem perceber que, com isso, uma nova frase precisa começar.

 

Mas de tanto colocarmos pontos finais, acabamos cheios de reticências até que, no fim, só sobraram interrogações.

 

 

 

O que você vai fazer hoje a noite? Te pego pra jantar e talvez não te devolva nunca mais. Te pego às oito… Em ponto.

Humberto Cardoso Filho

Humberto Cardoso Filho

Paulista radicado em SC, publicitário por formação e escritor por Hobby. Apareço, normalmente, 2 quartas por mês aqui no Uma Boa Dose compartilhando um pouco do meu mundo. Apaixonado por trabalho voluntário, hoje sou Organizador do TEDxBlumenau. Acredito que histórias tem, sim, poder transformador e busco usar as palavras com esse objetivo.
Humberto Cardoso Filho

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Sem comentários

  • Mayara Floriani 02/09/2014   Reply →

    Era o que eu precisava para essa terça, muito obrigada!

Degustando...