Aos 26

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Foto: Pinterest

Ao pular da cama,

Ao olhar no espelho,

Me encara um rosto fino,
(quem é?)

Frio, maduro e desconhecido

Um rosto novo

De possibilidades infinitas

Aos 26, me assustei com as primeiras rugas

Que surgiam tímidas e preguiçosas no canto dos olhos;

Me encantei pelas nuvens, agora diferentes e cinzas

E pelos pés, fixos no chão.

Pelos detalhes do caminho também.
Me enamorei pelos amores passageiros e inesperados

Que não nasceram grandes, mas sortudos e tranquilos.

Me apaixonei mesmo foi pelos 26 – ah, os 26 –,

E, honestamente,

Um pouco mais por mim mesma.

 

Os ônibus universitários foram embora,

Agora era o trânsito, os carros, os aviões,

Sobrevoando uma vida que,

De tão real,

Pareceu até sonho.

 

O futuro, sempre distante e sedutor – me sonhe,

Nunca foi tão presente.

 

O passado, nunca tão hier.

 

É que aos 26,

Perdi a memória.

E o futuro
Nem entrava na história.

 

Ainda bem,

Chegou a idade

(agora,

de verdade)

Das grandes realizações

E das zero expectativas.

 

Ponto pra mim.

Anos pra mim.

 

Ainda bem.

Bruna Estevanin

Bruna Estevanin

Bruna é uma jornalista inquieta que adora ouvir histórias e nunca recusa um convite para jogar baralho. Acredita mais em ações que em palavras e as pessoas que enrubescem quando estão envergonhadas são as suas favoritas. Nas horas vagas, ela inventa teorias sobre comportamento humano, rabisca uma ideia e outra e coleciona guardanapos.
Bruna Estevanin

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