Horizonte distante

No meio de tanta gente… Existe tanta gente chata, desinteressante, sem graça e superficial, mas tem neste mundo, ao mesmo tempo, tanta gente divertida, alto-astral, verdadeira e que não para de sorrir. Em meio à música que se repete, às pessoas que dançam, que cantam e levantam seus corpos no ar, estava eu ali, parada, pensando no que eu diria a mim mesma se tivesse vivido uma vida inteira e olhasse para trás neste momento.
Seja dançando, cantando, sorrindo ou conhecendo gente nova, que a vida nunca perca a essência em inovar. Que eu nunca deixe de querer mudar, de sorrir, cantar e dançar mais e ser mais quem sou. Que eu continue a me atirar em tudo de cabeça, sem mais nem menos, sem pestanejar, deixando-me consumir por tudo o que é belo. Que meus impulsos sejam cada vez mais descontrolados e desmedidos. Que eu não me contenha, não guarde palavras na boca, não dê meios passos ou meios sorrisos. Quero ter a coragem de deixar o peito a mostra afim de que essas implosões sintam esse excesso vindo da vertigem de estar vivo. Que eu saiba que de nada vale a felicidade sem seu antônimo em paralelo para lembrar-nos do valor dela em tempos difíceis. Que eu sempre faça o bem, porque o mundo vai mal.. Quero meus amigos sempre perto, em alma e coração. Que eu conheça muitas pessoas nessa vida, mas que saiba sempre quem são os poucos e bons.
Que eu olhe sempre esse imenso céu e aponte no horizonte aonde quero chegar. Que eu encontre um cantinho pra mim nesse mundão, mas que este mundo seja grande o suficiente para abrigar todo o meu sonhar. Que eu vá encontrar meu caminho nesse próximo ano, mas que eu nunca esqueça o caminho de casa.

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“spend more time flowing”. (Foto da autora).

Quero continuar a ler poesia e parar por horas e horas, e ver, sentir, entender. Que a arte continue a me resgatar, a cavar dentro de mim com suas mais profundas virtudes. Que eu continue a passar pelas ruas e sorrir quando encontrar palavras gentis. Que a música continue a dar a mim o ar que enche meus pulmões. Que ela faça-me flutuar e arder e queimar. Que eu saiba enfrentar a dor. Contudo, que eu encontre forças para reerguer-me, para levantar, para amar. Que eu me dê um tempo e tire folga do mundo, tire folga de tudo e mais um pouco. Que eu dê um tempo para navegar.
Que meus olhos sejam filtros de tudo o que me invade; que eu sempre encontre espaço para doer, para curar e para aprender. Que eu me encontre repleta de vontades imensuráveis. Que eu continue a querer os quereres maiores que o caos, esses que enaltecem a imprevisibilidade de todo o futuro. E que seja bagunçado, incabível, transbordado, incompreensível, eloquente e pulsante, mas que seja belo o viver, acima de qualquer aposta. A gente na vida foi feito pra voar. 

Eles passarão

Eu passarinho

Mário Quintana

 

Carla Mereles

Morena de cidade alemã, tem na escrita a sua maior liberdade. Além disso, tem inquietação por tudo o que parece fora do lugar – ou num mesmo lugar há muito tempo. Crê na força das palavras, no poder catalisador da música (em especial a quem a faz) e, principalmente, na força sinérgica das pessoas. Gosta de ouvir e contar histórias, sempre que pode está na/pega a/bota o pé na estrada e deseja um dia ter a sabedoria em bem enxergar o mundo.

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Um comentário

  • Pedro Eugenio 13/10/2016   Reply →

    Pesquisei no google: “em meio a tanta gente superficial” o primeiro link foi seu texto, ele é lindo, fez meu diz mais feliz!!

    Obrigado.

Degustando...