Herança

 

Viagem

Meus avós trabalharam arduamente a vida inteira, lutando lado a lado e construindo uma vida a dois, que depois tornou-se uma vida a cinco e agora é repleta de agregados. Eles foram para fora do país pela primeira vez quando já estavam aposentados e desde então este se tornou o hobby preferido deles. Já visitaram inúmeros países nos três continentes que desbravaram e hoje, beirando as sete décadas de vida, vivem para saudar e aproveitar a vida que têm da melhor forma que podem – rumo aos 5 continentes! Diz minha avó que o mundo é a melhor e maior sala de aula da qual dispomos e, assim, os dois fizeram do mundo o seu lar – e eles, com seus espíritos corajosos e curiosos inspiraram e contagiaram-me desde a primeira história que ouvi sobre suas viagens, fazendo com que eu quisesse o mundo inteiro como meu lar também.

Viajar vicia, disso não tenho dúvidas. E não há fórmula secreta para uma viagem perfeita, embora as variáveis sejam as mesmas: as pessoas com quem se viaja, quem se conhece lá, os lugares, as vistas, as trapalhadas e tropeços pelo caminho, que tornam cada viagem única e que dão luz própria àqueles momentos. “Crew, prepare for landing!” é, sem dúvida, uma das frases que mais gosto de ouvir, e ela dá início a uma, duas, três semanas de aventuras e das páginas de um livro que se escreve. Desses momentos procuro extrair o máximo que posso, e dessas experiências pude entender algumas coisas relacionadas a esses breves e preciosos momentos a que chamamos de viagens.

1. Se o lugar/monumento é amarrotado de turistas não é por coincidência ou teimosia: apesar de clichê, são extremamente bonitos e encantadores, e só se enxerga tudo isso de fato quando se está ali. Nada mais válido que estudá-los um pouco para entender melhor cada detalhe da história que se abriga por ali…

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L’arc du Triomphe (foto da autora).

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Strawberry Fiels, no Central Park (foto da autora).

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Brandenburg Tor (foto da autora).

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Berliner Fernsehturm (foto da autora).

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The London Eye (foto da autora).

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Tour Eiffel (foto da autora).

(Digo isso pela minha resistência à Torre Eiffel, que se provou muito maior e muito mais bonita do que eu jamais pude imaginar.)

2. Não subestime o pôr-do-sol nos points, roofs e afins porque, quando o relógio bate às seis da tarde, não há nenhum lugar melhor para se estar.

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Brooklyn Bridge (foto da autora).

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Central Park (foto da autora).

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Brooklyn Bridge (foto da autora).

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Montmartre (foto da autora).

3. Sempre – digo, sempre – esteja disposto a tentar coisas novas. Não importa se é colocar uma roupa diferente, um batom de outra cor, experimentar comidas ou conversar com gente nova: novos lugares requerem novas posturas, e essa mesma postura deve voltar com a gente. Aliás, devemos abraçar com todas as nossas forças o momento e desbravar o nosso espírito viajante e, para isso, também é válido enfrentar medos, o que pode ser um experiência divertida: superei meu medo de rodas-gigantes na maior do mundo! (Não foi tão traumático quanto eu esperava, fica a dica.)

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tomar cerveja amantegada em Hogsmeade (foto da autora).

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alimentar um canguru (foto da autora).

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parar a rua pra tirar foto (foto da autora).

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comer plantas nas ruas (mentira). Foto da autora.

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tirar foto de angry bird (brega, eu sei). Foto da autora.

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ou superar meu medo e subir no London Eye. (foto da autora).

 

4. Conhecer a cidade do seu jeito: de carro, trem, metrô, bicicleta ou à pé, o importante é que você aproveite cada minuto. (Eu sou adepta do bom e velho metrô!)

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“The subway”, em NYC. (Foto da autora).

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“The tube”, em Londres.(Foto da autora).

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“Le metrô”, na França. (Foto da autora).

5. Rolês nativos: procurar saber onde as pessoas que vivem ali vão, o que fazem e como vivem; essa é a melhor forma de conhecer de fato as pessoas, o próprio lugar e a essência que ele carrega, se infiltrando na sua rotina. São válidas as dicas vindas de qualquer pessoa, revista, guia de viagem e do próprio Google, o importante é não ter preconceitos. Em Berlim, conversando com o recepcionista do hotel, soube a respeito de uma mesquita que se situava a duas quadras dali e era considerada uma das mais belas que existe – e se não fosse por uma simples conversa talvez eu não tivesse tido um dos passeios mais agradáveis na minha breve estadia por lá.

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Flohmarkt, no Mauerpark. (Foto da autora).

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Visitando as velhos prédios da Berlin Oriental. (Foto da autora).

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The High Line, a antiga linha de trem em Nova York. (Foto da autora).

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Chelsea district. (Foto da autora).

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The High Line. (Foto da autora).

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Feirinha em Montmartre, no Quartier Latin. (Foto da autora).

 

E, por fim, independentemente do destino, da possível falta de grana, das trapalhadas, das discussões, das dores de cabeças e dos vôos atrasados, é vital que se aproveite cada segundo de cada momento de qualquer viagem. Absorver a essência do lugar, das suas pessoas, dos detalhes e permenores dali é a maior herança que se pode ganhar, visto que saber mais sobre o nosso mundão nos enriquece como seres humanos de forma inigualável. Viajando a gente cresce, abre a cabeça para novas possibilidades e horizontes, a gente se perde (muito) e se perdendo que a gente acaba por se entender melhor e se encontrar cada vez mais – e, como provam meus avós, nunca é tarde demais para se tornar um viajante. Viajar faz com que olhemos a vida mais nitidamente e que busquemos fazer do nosso cantinho no mundo um emaranhado de coisas boas que colhemos universo afora. O mundo é rico em possibilidades, já disse Kerouac, então, até o próximo destino! – onde quer que ele seja…

Carla Mereles

Morena de cidade alemã, tem na escrita a sua maior liberdade. Além disso, tem inquietação por tudo o que parece fora do lugar – ou num mesmo lugar há muito tempo. Crê na força das palavras, no poder catalisador da música (em especial a quem a faz) e, principalmente, na força sinérgica das pessoas. Gosta de ouvir e contar histórias, sempre que pode está na/pega a/bota o pé na estrada e deseja um dia ter a sabedoria em bem enxergar o mundo.

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Sem comentários

  • João Vítor Krieger

    Ótimo texto, Carla! 😀

  • marikotarosa 24/07/2014   Reply →

    Republicou isso em marikotapelomundoe comentado:
    Gente! adoro os posts de viagem desse blog. mais um ótimo:D

  • Carla,

    Concordo com cada linha que você disse. E sempre aproveito ao máximo cada viajem minha, mesmo que eu as faça sozinha! O que na maioria das vezes acontece. rs

    • Carla Mereles 31/07/2014   Reply →

      O jeito é a gente se aproveitar, botar a mochila nas costas e buscar a felicidade em cada momento precioso de cada viagem – com alguém ou não 🙂

Degustando...