Cozinhar não é serviço. Cozinhar é um modo de amar os outros." (M. Couto)

Namore um cara que goste de cozinhar

 

"Cozinhar não é serviço. Cozinhar é um modo de amar os outros."  (M. Couto)

“Cozinhar não é serviço. Cozinhar é um modo de amar os outros.” (M. Couto)

 

Faz tempo que venho pensando nessa relação entre os homens e a cozinha. Na verdade, entre os homens e o ato de cozinhar. O que é que faz com que isso seja, além de um prazer pra eles, um motivo pra gente se derreter?

Acredito que o fascínio já começa na hora de sair pra comprar os ingredientes – na feira, por exemplo. É ali, na barraquinha, que todos os hormônios dele se concentram em escolher os tomates perfeitos para a salada, separar a quantidade exata de cogumelos, eleger as cebolas que merecem ir parar na receita, enquanto você tenta comprar rúcula correndo o risco de pedir 500g em vez de 50g e receber em resposta um sorriso dele, que sabe mais de números do que você.

A cozinha passa a ser um espaço livre pra ditar as próprias regras e conduzir o preparo da forma que quiser. Na dúvida, cozinhem juntos: pode ralar o queijo e descascar as batatas – mas sem palpites, ok?

Amassa com força suficiente para ter o aspecto desejado, mas com carinho para não estragar a receita que acabou de começar. Vira, põe o recheio, mexe, deixa cozinhar. Espera pacientemente que o relógio da cozinha indique que os tais 40 minutos já passaram. Quase pronto. Prova pra ver “se está bom de sal”: muito sal ou pouco sal? Haja sensibilidade…

É hora de montar uma apresentação bem bonita pro prato. Molho perfeitamente despejado. Tudo pronto, fazendo parte de uma composição linda e apetitosa. Cá entre nós, nessa hora eles não parecem em nada com os durões que estão acostumados a tentar ser.

O ato de cozinhar é, então, o momento em que eles podem por em prática a atenção, o cuidado, a autenticidade, o carinho, a paciência, a sensibilidade e o bom gosto. Cada item é essencial para um resultado final encantador.

Ele aparece na sala sorrindo pra mostrar o que fez. “Tô contente!”, indicando o prato. É muito, muito amor. Quando você vê tudo pronto, já nem sabe mais se ajudou mesmo a preparar ou se ficou só contemplando enquanto ele se dedicava a cada detalhe.

Namore um cara que goste de cozinhar porque ele entende a importância dos detalhes e sabe que algumas coisas perdem a graça quando chegam “de bandeja”. Ele investe tempo no que gosta e dedica a todas essas atividades – e pessoas – uma atenção especial. De quebra, é também um grande apreciador de pequenas gentilezas – qualquer pão de queijo ou xícara de café parece vir com uma etiqueta: feito com carinho. Com ele, a vida ganha um tempero a mais e acaba ficando mais saborosa também fora da cozinha. Com toda essa mistura de coisa boa como é que a gente não vai gostar de ver eles colocando a mão na massa?

 

Ana Metz Castan

Ana Metz Castan

Ana é louca por flores, adora chás e odeia clichês. Tem sempre à mão papel e caneta e adora juntar gente em volta de uma mesa. Curiosa e apaixonada, explora projetos que tragam mais empatia, criatividade e leveza para o mundo. Acredita que água salgada curatudo e que tristeza não tem espaço em dias de céu azul e frio. Ana é fundadora do Uma Boa Dose e hoje estuda na Kaospilot, na Suíça.
Ana Metz Castan

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Sem comentários

  • Mari Cunha 08/08/2014   Reply →

    Porque ele entende mais de números do que eu ??? Pq é homem? Aff

    • uma boa dose 09/08/2014   Reply →

      Oi, Mari!
      Esse post foi escrito baseado num cara que realmente existe e, nesse caso, ele realmente sabia mais de números…
      🙂

Degustando...