Coleção

Fins de semana em casa geralmente são dias nostálgicos para mim. Nesse, aproveitei para dar uma garimpada em fotos e textos antigos que há tempos não via. É curioso olhar com um certo distanciamento para poemas e crônicas que escrevemos. Vemos, com clareza, através das muitas ou poucas palavras, as mudanças sutis ou monstruosas que vivemos ao longo dos anos. E, não menos claras, as partes de nós que permaneceram intocadas.

Acabei achando alguns versos que escrevi durante o Ensino Médio e senti saudades da menina de 17 anos que os escreveu. Lê-los foi como um sopro de ingenuidade e pureza que me pegou desprevenida num domingo de manhã. E um ótimo lembrete para, apesar do cotidiano arrastado e, por vezes, pesado demais, não deixar jamais de carregar uma boa dose de um acreditar puro e sincero na vida, nos sentimentos pequenos e na força que eles têm sobre nós.

Eis aqui minha singela coletânea de versos. Espero que ela possa fazer o mesmo por mais alguém. Ou, se não isso, a ideia de se inspirar no pouquinho que fomos, ainda somos ou deixamos de ser revirando arquivos antigos. Tem sempre uma parte muito boa da gente guardada num baú ou numa gaveta. No meu caso, em pastas antigas do computador. E é muito, muito gratificante reencontrá-las =)

 

 

mania de vírgulas

 

não sei escrever conto.

não sei se narro uma viagem
ou talvez um encontro

começo sempre bamba:
cada parágrafo é tonto;
ora termina em vírgula
ora termina em ponto

meu conto
nunca parece
estar pronto

 

 

imprevisto

insônia inspirada
nunca se sabe quantos versos cabem
na madrugada

 

inferno astral

cada mês do zodíaco
traz um novo perigo
é sempre áriescado
um touro
sair do abrigo

sorte dos peixes
todos de aquário

debaixo d’água
ninguém segue
o calendário

 

atravessado

coração travesso;
bate sempre
do lado avesso

muT-muT

muT-muT

muT-muT

muT-muT

Bruna Estevanin

Bruna Estevanin

Bruna é uma jornalista inquieta que adora ouvir histórias e nunca recusa um convite para jogar baralho. Acredita mais em ações que em palavras e as pessoas que enrubescem quando estão envergonhadas são as suas favoritas. Nas horas vagas, ela inventa teorias sobre comportamento humano, rabisca uma ideia e outra e coleciona guardanapos.
Bruna Estevanin

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