Faça um Pedido

desejos

Feche os olhos (ilusoriamente, senão não dá para ler o escrito 😉 e se imagine sozinho. Respire fundo. Prometo que não vai lhe custar mais do que um minuto. Deixe o mundo de lado e foque só em você mesmo. Por este curto espaço de tempo, você será o centro da Terra.

Faça um pedido. Um que venha do fundo do coração e que, se possível, não esteja relacionado a qualquer coisa que envolva dinheiro diretamente.

Difícil, né? Quase tudo envolve dinheiro na sociedade. Relaxe! Sem neura: não desista ou tenha pressa. Algo vai surgir, tenho certeza.

Se quiser, pode fechar os olhos com mais força agora para buscá-lo dentro de si. Lembre-se: estamos procurando o seu mais profundo desejo, portanto, é normal que ele esteja escondidinho no labirinto que é nosso coração. Tenha paciência.

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Encontrou?

Já pode abrir os olhos de novo.

Independente do que você tenha encontrado, é improvável que este desejo tenha se tornado realidade de pronto. Geralmente, vontades guardadas à sete chaves não estão tão seguras por acaso. São protegidas por mecanismos inteligentes e proteccionistas, criados por nós mesmos, que ocultam certos almejos quando entendem que aquilo que está fora do alcance no momento e que, por isso, não precisam ficar na superfície do consciente.

Para evitar a frustração que sentiríamos, ficam congelados em nosso interior, intactos, apesar de inativos.

É justamente sobre esta sensação que gostaria de iniciar nosso bate-papo.

Desde pequenos, somos treinados a lidar com o fato de que há coisas que não estão em nosso alcance, independente de quão simples sejam: você não pode faltar na escola só porque não está com vontade de ir, ou porque quer brincar na rua, por exemplo.

Enquanto ainda estamos aprendendo a lidar com isso, é difícil entender. Mal sabemos quem somos, o que é esse mundo que vivemos e, ainda assim, temos que enfrentar um sentimento tão complexo quanto a frustração.

Com o passar dos anos, vamos aperfeiçoando a maneira como lidamos com ela e, consequentemente, aprendemos a coexistir. Quando ela aparece, depois de uma certa experiência, já somos íntimos: quase sempre sabemos como controlá-la. Mas há um motivo: superá-la deixa de ser um desafio e se torna uma questão de sobrevivência.

Quando ainda estamos engatinhando neste sentido, digamos que a vida fica menos fácil, uma vez que nosso cotidiano é recheado de desejos e ambições, dos mais simples aos mais complexos.

“Não foi desta vez, mas ainda vai ser!” versus “Se não foi, é por que não era para ser!”

Digerida a frustração, enfrentamos outro sentimento : o conformismo. Aqui, as coisas ficam um pouco mais complicadas: o terreno é acidentado e cheio de armadilhas. É onde decidimos, consciente ou inconscientemente, se lutaremos pelo dito desejo ou não. Alinhamos expectativas, balanceamos as probabilidades e traçamos estratégias. A decisão, que se reflete em seguir adiante ou partir para outra, vem turbulenta, pois pode significar abrir mão de algo e isto, como todos sabemos, quase sempre é difícil.

Com as armas que escolheu na mão, é hora de lutar pelo que deseja. Mas calma lá, dom quixote! Conheça bem os dragões que deseja enfrentar. Devemos ter sempre em mente que, por melhor que sejam nossos planos, nem sempre garantirão o sucesso. Há de estar muito claro quais são os fatores que estão em nosso alcance para que, caso caiamos, a queda nos machuque o mínimo possível.

“Mantém-me viva ou não hás de respirar nem mais um bucado sequer!”

Existe uma chama oscilante e intensa dentro de nós. É o que nos move adiante ou nos enterra a sete palmos. Ela está totalmente ligada aos nossos desejos. Sem ela, não há batalha. E sem batalha, não há vitória. Sim, me refiro à Motivação. Peça chave para tudo que envolve tornar um desejo tangível, ela é onipresente. Mesmo que pequena ou quase próxima a zero, ela está ali. Esteja sempre pronto para reanimá-la quando for necessário, pois é ela quem iluminará seu caminho.

Um campo minado e um preço a pagar.

Desejos mexem com nossos pilares mais primários: moral e ética. Não podemos, por exemplo, pegar um CD novo do Coldplay da prateleira da loja e sair sem pagar por ele por mais fanático que sejamos pela banda. Tudo tem um preço, monetário ou não, e você deve estar preparado para pagá-lo se quiser realizar seu desejo.

Por isso, estamos, a todo momento, em conflito com nossas vontades e a probabilidade de elas serem cumpridas, o que nos remete ao primeiro ponto que mencionei. E, para enfrentarmos esta situação, tendemos a, às vezes, trair a nós mesmos, sempre indiretamente. Criamos falsas expectativas, damos uma envernizada no duro fato de que as coisas não estão indo conforme queríamos e, bem… Postergamos o inevitável.

Mas, ei! Nem tudo acaba em pizza!

Sejamos otimistas. Não são todos nossos anseios que acabam em frustração. Há aquelas situações em que conseguimos realizar um sonho e são, com certeza, a oitava maravilha do mundo!

A minha primeira grande realização veio rasteira e fatal: uma bomba explodiu a minha frente e me envolveu em sua fumaça de completude.

Estava no metrô, brincando com o meu MP3 player e pensando em comprar um novo fone de ouvido. Ia a algum encontro com amigos no centro de São Paulo. A cabeça estava apoiada no braço que pendia em uma das barras superiores de sustentação do vagão. O celular tocou e ouvi minha amiga Giulia, do outro lado da linha, me dar uma das notícias mais felizes da minha vida: “Mu, você passou no vestibular!!!”.

Ok, a notícia não era tão inesperada assim, confesso. Na verdade, foi apenas uma confirmação. Mas não foi por excesso de confiança! Eu posso explicar: meu nome apareceu na segunda chamada da universidade.

Quando não encontrei-o na primeira lista divulgada, a primeira reação foi respirar fundo. Depois, foi checar a lista mais duas vezes (vai que, né?). Constatado o fato de que eu não havia sido chamado, decidi comparar a pontuação dos candidatos chamados nos anos anteriores até a última chamada com a minha, afinal, a esperança é a última que morre. Comecei com 2008, o ano anterior àquele. Observei que candidatos com a minha pontuação apareciam na segunda lista. Aos poucos, o sentimento de derrota foi se esvaiando. Para confirmar, voltei mais quatro anos (ou seja, até a primeira turma daquele curso) e, em todos eles, as pessoas que haviam tirado a mesma pontuação que a minha, haviam sido chamadas a partir da segunda lista.

Portanto, a notícia que a Guilia me passou foi mais uma confirmação de que o padrão dos anos anteriores persistia do que uma notícia propriamente dita. De qualquer forma, o sorriso não deixou meu rosto nem por um segundo até deitar-me, horas e horas mais tarde.

Bem, apesar da história ter começado bem, não cheguei a concluir minha graduação na instituição (e sim, tive de lidar com o amargo gosto da frustração que este fato me causou). Entretanto, foi importante aquele primeiro impulso, aquela energia positiva envolvente que nos empurra para frente. Sentí-la me fez querer repetí-la mais vezes e acabou me levando para os mais diversos caminhos jamais imaginados e/ou planejados por mim, me botando em um ciclo vicioso do bem.

Portanto, seja lá quais forem os resultados que um sonho realizado reflita em nossa vida, o fato de tê-los realizado supera qualquer frustração futura. Ao menos deveria ser assim…

Qual foi a maior realização de um desejo seu? Compartilhe conosco! 😉

***

Pois é.

Desejos fazem parte de nós. Nos dão razões para entrar nas mais diversas batalhas nessa louca viagem que chamamos de vida. Nos empurram para frente e para trás o tempo todo. Sorriem conosco e da nossa cara. Nos salvam e nos pregam peça. Nos fazem rir e chorar.

São um grande paradoxo e, ainda assim, um dos mais deliciosos prazeres da vida.

Não importa se seu sonho é grande ou pequeno. Se todo mundo ou só você acredita nele. Ouça mais seu coração e siga em frente. Independente do final, os meios farão toda a diferença.

Ei. Você.

Feche os olhos mais uma vez.

Faça um pedido.

Até a próxima 🙂

makeawish

Fonte: Tumblr

Murilo Igarachi

Murilo Igarachi

Paulistano com descendência na Lua. É daqueles que você tem cantando sozinho na fila do metrô ou balançando as pernas como uma criança num banco de praça qualquer. Questiona tudo o que vê e busca achar um sentido para tudo, em especial para a vida e seus misteriosos mecanismos. Amante nato de natureza, apesar de ser de exatas, ama dias ensolarados e chuvas de verão. A cada duas Quintas, aparece espalhar doses de vida, amor em suas mais variantes e você, muito você. :3
Murilo Igarachi

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2 comentários

  • Don Donini Jr. 05/12/2014   Reply →

    Lendo seu texto só me vem um único desejo: que o mundo a cada dia traga mais e mais pessoas em busca de lucidez como voce, e que esse blog cheio de riquezas alcance cada vez mais mentes ávidas por sábias reflexões.
    Keep shining.

  • Monique 09/12/2014   Reply →

    Meu desejo é que tudo dê certo, mesmo que o “certo” não seja o que desejo! 🙂 bjoo

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