Um do outro

Eram perfeitos um pro outro, Pedro e Laura. Tão feitos um pro outro que foram logo gravando o amor na pele, assim tão cedo. Mas sem esquecer do coração, é claro, onde a marca de qualquer sentimento é maior e mais forte que qualquer outro.

Eles estavam sempre juntos, quando não era frente à frente era mensagem à mensagem. O amor crescia neles da forma mais pura e doce, e eles, por motivos óbvios, não estavam nem aí para o futuro. E o viver do presente, era sem duvida, sua maior bênção.

Ao som de Eduardo e Mônica, eles cantavam “ele completa ela e vice-versa, que nem feijão com arroz”, em uníssono. Ela sorria, e ele… bem, ele se apaixonava cada vez mais por ela. Eram felizes. Eram jovens. Destemidos. Vividos. Próximos. Tão próximos que se tornaram um.

E, então, o tempo passou.

Infelizmente, o que era romântico virou chato, o bonito virou normal, o único virou igual. Eles mudaram. Pedro teve que morar numa cidade longe de sua amada. Foi então que as coisas ficaram difíceis para ambos, porque embora o amor ainda existisse, a distância atrapalhava todos os seus sonhos.

Muito foi lutado para que um não perdesse o outro, mas a saudade apertava. Os horários desiguais traziam discussões, os novos amigos de Pedro o levavam por outros caminhos. Laura, a mente e coração do relacionamento, passava maior parte do tempo em seu quarto, só, chorando a falta de seu amado.

Ela dizia: “Você está diferente…”

Ele sorria: “Sou eu, amor. É só que tem muita coisa acontecendo. Prometo que sou eu”.

Se o tempo não cura, uma coisa com certeza ele faz, ele prova. E ele provou que Laura estava certa. Pedro estava diferente, era Pedro, mas não era Pedro. Seja lá o que tenha acontecido com ele, Laura sabia que ele sempre seria o amor de sua vida, que o amaria acima de qualquer uma dessas barreiras impostas por tempo ou distância e que, em algum ponto, ele voltaria para ela. E Pedro, que sempre fora apaixonado por Laura, vivia uma vida que não mais lhe pertencia.

Tudo era saudade, inclusive para Pedro.

Saudade, principalmente, da época em que a única preocupação deles era fazer um ao outro feliz.

O coração bateu mais forte e houve – por conseqüência de um amor que nunca morre, mas se transforma – uma necessidade de estar junto, de dividir, partilhar, sonhar uma vida em que um é do outro, tudo de novo. Bastou uma passagem de ônibus, um táxi e algumas flores.

Pedro largou tudo para ter tudo.

E, assim, Pedro e Laura viraram Eduardo e Mônica, e se eternizaram nas linhas que aqui escrevo.

Mas essa, meus caros, não é uma história só de amor.

Ingrid Tanan

Ingrid Tanan

A Ingrid é a moça dos sorrisos com covinhas e das bochechas rosadas. Ela aprecia um bom livro e, mais ainda, uma longa conversa sobre ele. Apaixonada por design, música, Friends, marshmallow, Tim Burton, cadernetas, postais e post-its. Acredita que escrever é seu momento – é poder estar consigo e refletir sobre o finito e infinito. Você pode encontrá-la em qualquer livraria de São Paulo ou às sextas aqui no Uma Boa Dose.
Ingrid Tanan

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