As limonadas da vida

O tema deste mês é “vivendo boas doses” e, como todos eles até então, foi escolhido e votado por nós, os colunistas – eu não participei da reunião em razão de um compromisso bastante sério, mas gostei muito da ideia. Afinal, o tema de dezembro do ano passado era “desejos”, o que queríamos para nós e outrém, o que queríamos ver realizado, concretizado, feito nisso que chamamos de vida; nada mais justo que janeiro seja o mês de – começar a – colocar em prática e tornar verdade as nossas vontades.

Começo, então, fazendo uma confissão: estou perdida. Dois mil e quize é, e será, um ano bipolar pra mim, no qual ou alcançarei as metas por mim fixadas há dois anos ou tornar-se-á um ano de tentativa e persistência, como foi o ano que passou. Estar de férias num momento de incerteza como este não ajuda muito porque, de duas, uma: ou a cabeça está completamente distraída com amigos, afazeres e diversões ou o ócio domina todo o nosso ser e a cabeça inevitavelmente repousará nas dúvidas, nos “e se”, nos “e agora?”.

Desde que me conheço por gente, férias quer dizer praia. Pele mais escura, cabelo mais claro, muito sol, mar e sorrisos dados a esmo. É hora de aproveitar a família, que também está tirando uns dias de folga, já que no meio do ano letivo todos sabemos o quão difícil é, por vezes, reunir todo mundo. É hora também de fazer aquilo que não se consegue fazer nos outros onze meses em função das muitas funções que se tem – ler os livros que já estão empoeirados na prateleira, passar o dia inteiro na praia, dar uma volta de bicicleta, botar os pés pra cima e se permitir o dolce far niente. Assim, ao ocupar os minutos preciosos de liberdade com aquilo e os alguéns de que gostamos e por quem prezamos, tornas-se tudo mais bonito.

No fim do dia – e no meio do ano – o que importa é tudo o que se viveu, é a companhia boa, são as risadas coletivas, os lugares novos e os “de sempre”; tudo isso nos faz querer tirar esse período de férias novamente, de tão bom que é. Incertezas à parte, esse troço a que chamamos de férias, em que podemos acordar depois das 10h e cochilar depois do almoço, em que os encontros com os amigos são diários e as celebrações constantes, é a coisa mais querida, como costumamos dizer na minha terra. Posso dizer, então: viver boas doses é viver momentos repletos de amor com as pessoas que se ama. (Diz o ditado que se a vida nos dá limões, com eles devemos fazer limonadas.)

Continuo meio perdida, meio sem rumo, meio sem saber o que fazer. Como não posso fazer nada a respeito, estou aproveitando como posso com aqueles que tanto significam pra mim, utilizando esses dias para equilibrar os pensamentos, para ficar sozinha, para ter o meu silêncio, para ter o meu barulho e para internalizar que as boas doses da vida são diariamente oferecidas a nós: basta agarrá-las. Como eu já disse em outro texto meu, “quiçá, a quem se permite o bem-viver do ordinário, o mundo permita o mais extraordinário da vida.”

 

Feliz 2015 a todos! Que seja um ano extraordinário e que façamos por merecê-lo.

 

 

Carla Mereles

Morena de cidade alemã, tem na escrita a sua maior liberdade. Além disso, tem inquietação por tudo o que parece fora do lugar – ou num mesmo lugar há muito tempo. Crê na força das palavras, no poder catalisador da música (em especial a quem a faz) e, principalmente, na força sinérgica das pessoas. Gosta de ouvir e contar histórias, sempre que pode está na/pega a/bota o pé na estrada e deseja um dia ter a sabedoria em bem enxergar o mundo.

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