Foto: Tumblr.

The seasons have changed and so have we

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(Trilha sonora que inspirou o titulo: https://www.youtube.com/watch?v=Gxx6K5tIuOc)

De biquínis, calções de banho e roupas leves de veraneio; as peles cor de bronze contrastam com as cores delas. Nos pés, nada mais que um par de Havaianas. Os cabelos salgados têm mais curvas que o normal e tons avermelhados estão salpicados no topo das maçãs do rosto, indicando a presença o sol que incide sobre nós, acariciando-nos fielmente, esporadicamente dando lugar às famosas chuvas de verão. O mar não para de brilhar nunca: seja com o amarelo do sol ou o branco da lua, ele reflete os mais belos tons de luz em todos os momentos do dia. À noite, o vento sopra as faces de quem caminha sem rumo pela orla, de quem se refresca com a areia gelada, que banha os pés na água quente do mar.

A brisa matinal que sopra as cortinas brancas do quarto avisa os desatentos da chegada do outono. Pelas ruas, as árvores despidas têm nas calçadas ao seu redor as folhas que tomaram tons de terra; caídas, envelhecem pouco a pouco. Quando o sol chega ao topo do céu, o calor nos lembra a estação anterior; num equilibrado balanço entre o mais e o menos, a instabilidade climática encanta. Incerta como nenhuma outra, o outono é o que há de mais poético nos solstícios e equinócios. Fatidicamente, a época do ano nos obriga a lotar as bolsas e mochilas de tralhas que poderão – ou não – ser úteis durante o dia: óculos escuros, casaquetos, guarda-chuvas. No outono, o inesperado toma conta dos nossos dias; da noite, ficam encarregadas as surpresas.

Camadas e mais camadas de roupa não deixam dúvidas: chegou o inverno. As bochechas e pontas de narizes rosadas, as mãos nos bolsos dos casacos, os cachecóis envolvendo os pescoços; as baixas temperaturas não perdoam ninguém. A estação mais fria por vezes traz consigo as chuvas que gelam ainda mais o ambiente, mas quando o sol resolve aparecer, não há para ninguém. O equilíbrio do ventinho frio e do calor dos raios de sol no corpo; a sensação de plenitude é inevitável. São nesses momentos que se percebe a beleza dos contrastes e antagonias da vida.

“Primavera se foi e, com ela, meu amor…”, cantam os meus queridos Los Hermanos. Essa estação se traduz em imagens: os pontinhos esverdeados criando lugar na cidade, as árvores retomando seus portes majestosos, as flores crescendo aos montes, contrastam as cores mais belas em toda a cidade, em todo o lugar. Nas varandinhas das principais ruas comerciais, nos edifícios corporativos, no meio do cinza dos prédios, nos jardins, nos canteiros por entre faixas de asfalto. Essa estação parece renovar não apenas os ânimos de todos nós, que andamos por aí, mas também parece soprar inspiração e esperança às nossas almas. A relação entre a beleza e vivacidade das ruas com o ar mais puro e recheado com aromas dos mais diversos, converge num sentimento de felicidade plena em ver sentir o bonito da vida.

O ciclo recomeça; trimestre após trimestre, mudam-se as estações. Pensamos que por sabermos que as mudanças ocorrerão – depois do inverno vem a primavera, depois disso o verão e assim por diante – que elas ficam sem graça, blasé. Mas não. Longe disso. Quanto mais sabemos a respeito da periodicidade dessas metamorfoses climáticas e de humor, mais inconstantes elas parecem ser e, consequentemente, mais se espera por elas. Afinal, cada estação é uma estação e apesar de se repetirem ano após ano, elas têm suas particularidades cada vez que retornam. Nós, que sabemos do ciclo climático que o Universo nos proporciona, esperamos a chegada de cada estação com ansiedade ímpar, com sede de entendimento e nos perguntando como será a estação dessa vez, porque sabemos que apesar de constantes, as mudanças continuam sendo uma caixinha de surpresas, incertezas e curiosidades múltiplas. Atestamos que apesar da previsibilidade, as estações carregam em seus nomes a esperança de renovação e, exatamente por isso, são esperadas com a ansiedade característica de tudo aquilo traz mudança em si.

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Fotos: Tumblr.

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Carla Mereles

Morena de cidade alemã, tem na escrita a sua maior liberdade. Além disso, tem inquietação por tudo o que parece fora do lugar – ou num mesmo lugar há muito tempo. Crê na força das palavras, no poder catalisador da música (em especial a quem a faz) e, principalmente, na força sinérgica das pessoas. Gosta de ouvir e contar histórias, sempre que pode está na/pega a/bota o pé na estrada e deseja um dia ter a sabedoria em bem enxergar o mundo.

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