Fonte: Pinterest

Uma Vida Inteira – Parte 1

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Tinha preparado tudo.

Saíram para jantar como em todo aniversário de namoro que, desta vez, caiu numa sexta.

Nunca foram do tipo “jantar à luz de velas”. Tinham uma luz interna que iluminava o suficiente para se verem bem de perto e perceber o brilho no olhar do outro. Era outono, e a noite fria virou desculpa para encostarem-se ainda mais. Os garçons dali sabiam seus pratos preferidos e suas bebidas de sempre, mas perceberam que tinha algo estranho quando resolveram passar a cerveja gelada e pedir um vinho.

Estranhamente, neste jantar, não teve sobremesa. Mas foram embora tendo as conversas de sempre.

Naquela noite, foram pra casa dela.

 

Depois de chegarem e pendurarem as chaves, era hora de pendurar as roupas e despendurar as toalhas.

O frio já não incomodava tanto depois de um banho quente, e foram se proteger em baixo das cobertas.

No entanto, ao pular na cama e enrolar-se no edredom, ela não viu seu par acompanhar.

Olhou para trás.

Viu-o ajoelhando e, naquela fração de segundo, sentiu-se vermelha e branca ao mesmo tempo. Sentiu arder de nervoso e perder todo o sangue. Sentiu-se feliz e em dúvida. Tudo isso enquanto o via terminar movimento, olhar para ela e abrir uma pequena caixa, que repousava em sua mão.

 

“Se tem uma coisa que eu sempre pensei, era em como seria esse dia. E, de certa forma, parece que pensar nisso te prepara para quando de fato for acontecer.

Tenho certeza que você acredita que eu bolei mil planos, mil situações onde você passaria a maior vergonha da sua vida ou onde eu seria a pessoa mais discreta da existência. Mas eu resolvi fazer isso do jeito que sempre fez sentido para nós. Aqui, no nosso mundo.

Embaixo da coberta que já esquentou várias brigas, que já separou nossos corpos e que já foi jogada no chão várias vezes. Com você em cima da cama olhando para mim como em várias vezes que eu te olhei de volta e me apaixonei ainda mais por você. De novo e de novo. Depois de mais um jantar onde você comeu o seu prato e beliscou o meu, onde você deixou eu escolher a bebida e eu fiz questão que você escolhesse o lugar.

Como sempre foi.

Em mais um daqueles dias que marca o quanto nós chegamos longe, juntos.

Como sempre vai ser.

 

“Eu sei que você tem certeza absoluta do que eu vou te perguntar, mas eu te peço para não responder até eu terminar de me explicar.

Eu quero que você case comigo.

 

Com os meus costumes, as minhas manias. Quero que nossos sorrisos sejam felizes para sempre e que nossos olhares se cruzem e desistam de piscar. Você pode escolher o altar, o padre, o vestido, os convidados. Tudo isso. Ou nada disso. Deixa que eu resolvo para você.

Para nós.

Eu juro que não vou me atrasar, nem de propósito nem sem querer. Juro que se você atrasar, nem meu coração apertado vai conseguir me deixar nervoso.

Nossa lua de mel pode ser aqui do lado ou do outro lado do mundo. Em uma praia, no deserto, numa megalópole. Basta ter nós dois, nossas músicas tocando e você olhando pra mim e sorrindo sem motivo!

Nos cerquemos de amigos e familiares para celebrar a nossa união. Eu não ligo para comunhão total ou parcial de bens desde que eu tenha você por inteiro.

 

Case com minhas piadas sem graça, com meus planos mirabolantes e com meus objetivos de vida. Eu faço questão de casar com os seus.

Case meus lábios com os seus, minha mão com a sua cintura. Minhas lágrimas com seus sorrisos, suas dúvidas com as minhas certezas.

Case comigo para equilibrar nossos desequilíbrios.

 

Case o seu mundo com o meu. Case comigo para ter certeza que é eterno e deixe nosso casamento ser nossa declaração disso para o mundo.

Case comigo para mostrar que, como eu, você aprendeu que o jantar é mais gostoso quando é pra dois.

Eu quero, com toda a força da minha existência, que você case comigo.

 

E você, quer casar comigo? “

Humberto Cardoso Filho

Humberto Cardoso Filho

Paulista radicado em SC, publicitário por formação e escritor por Hobby. Apareço, normalmente, 2 quartas por mês aqui no Uma Boa Dose compartilhando um pouco do meu mundo. Apaixonado por trabalho voluntário, hoje sou Organizador do TEDxBlumenau. Acredito que histórias tem, sim, poder transformador e busco usar as palavras com esse objetivo.
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