O teatro da vida

Uma história tem várias formas de ser contada, o meu encantamento é pelas narrativas com lugares e personagens inspiradores. Todos já devem ter ouvido alguém falar sobre “teatro da vida”, as analogias sobre o mundo ser um “palco”, o dia-a-dia ser a “história” e, obviamente, sobre as “personagens” e seus devidos “papéis”. Em uma analise nada científica, com o critério de avaliação mais rigoroso do mundo: a intuição. Tenho observado e tido a leve impressão de ver as pessoas perdidas em seus atos¹, muitos de nós aceitamos ser coadjuvantes das próprias histórias e, muitas vezes, tentamos ser protagonistas nas dos outros.

A minha teoria, formulada pelos muitos momentos de atenta observação e por várias analogias. É que, ao contrario do que se espera de uma encenação dos palcos de verdade, o teatro da vida é conhecido por ser feito no improviso. Muitos tentam escrever um roteiro e segui-lo, mas o improviso alheio acaba por atrapalhar a execução perfeita do script. As histórias da vida real também não podem ser classificadas e postas em prateleiras, que as segmentariam por estilos, elas são um mix de comédia, drama, ação, romance, terror e quantos outros permitirmos.

A parte importante dessa analogia são os papéis, os fundamentais atores e atrizes que encarnam os personagens da vida real. Em cada ângulo da história os coadjuvantes e protagonistas se invertem. Tão importante como saber ser protagonista da própria história é saber ser coadjuvante das histórias alheias, é um equilíbrio bem complexo e exige uma boa intuição. É, com certeza, um exercício que demanda que nos tornemos profissionais na arte do improviso.

Ser coadjuvante significa saber dar espaço pras opiniões dos outros, mas ser protagonista é não precisar abrir mão das suas próprias em função disso. Um ombro amigo, a melhor amiga, a mãe atenciosa, o pai amoroso, o coadjuvante é aquele que respeita o espaço da personagem principal, que convive bem com as decisões dela, mas previne e aconselha se for necessário.

Já ser protagonista é olhar para o mundo e se inspirar, mas buscar sempre a própria voz, medindo as escolhas e liderando a própria aventura. Uma personagem principal até pode planejar o script, mas deve saber improvisar com classe sempre que o texto sair do programado. Notar que na vida tudo tem seu ato¹, cada momento exige uma “persona” adequada e cada roteiro é escrito, dirigido, produzido e atuado pelo personagem principal, ou seja, você.

¹ Divisão da peça teatral.
Gabe Hansel

Gabe Hansel

Uma criança curiosa, uma adulta filosofa, uma adolescente rebelde e uma senhorinha alegre e contadora de piadas. Poderia ser a sinopse de um filme brega, mas é só um resumo das múltiplas personalidade dessa publicitária e atual estudante de administração pública. Gabe tem vícios em Youtube, Netflix, coisas belas, conhecimento, pessoas e mudanças. Aqui no Uma Boa Dose encontra espaço para refletir sobre a vida, amores, histórias e experiências, e ama compartilhar tudo isso com vocês.
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