Foto: Tumblr.

Ainda bem que não foi o mindinho

Acordei espirrando. Depois que espirrei, me engasguei e fiquei tossindo por uns 10 minutos. Bom, tá aí uma forma inusitada de começar o dia. Aí, meio sonolenta, ando – ou melhor, me arrasto – até o banheiro e chuto, com toda a minha força, a quina da porta com o pé. Momentos de dor, muita dor. Muitos xingamentos. Aquele “po***!” único e eficaz em demonstrar o que senti. (Mas ainda bem que não foi com o mindinho!).

Já horas depois, andando pela rua, meio mancando ainda por causa da dor, peguei o celular para responder uma mensagem. Compenetrada na tela do telefone, não olhei para a frente e dei de cara num poste. Não me machuquei, foi mais um susto que qualquer outra coisa. Passeio, ainda, pelas ruas e olho para o céu. Nuvens branquinhas se intercalavam em grandes intervalos de tons de azul. Senti o sol iluminando o rosto, o vento frio varreu da face todos aqueles momentos de ‘azar’ no dia.

Já falei várias vezes aqui sobre os Los Hermanos e também sobre um verso deles que eu adoro: “aponta pra fé e rema”. Gosto tanto dessa fala por muitos motivos; porque nem tudo dá certo sempre, porque existem dias ruins, dias daqueles. E nesses dias a gente tem direito de sentir frustração, raiva, tristeza. A gente tem o direito de sentir, o que quer que seja. Contudo, mais importante ainda, é entender que outro dia virá depois daquele e, com coragem, vivendo um dia após o outro, as coisas se encaminham pra algo melhor. (Que fique claro: não pretendo que isso soe como auto ajuda nem terapia pra ninguém – já diria uma música da qual nem lembro o nome: “I’m not a self help book, I’m just a fucked up kid”. É mais uma note-to-self mesmo, porque eu preciso me relembrar constantemente de manter a cabeça erguida e criar coragem de ultrapassar – as minhas próprias – barreiras. Esse é o meu jeito de lembrar, relembrar e agir.). Apontemos pra fé e rememos.

Carla Mereles

Morena de cidade alemã, tem na escrita a sua maior liberdade. Além disso, tem inquietação por tudo o que parece fora do lugar – ou num mesmo lugar há muito tempo. Crê na força das palavras, no poder catalisador da música (em especial a quem a faz) e, principalmente, na força sinérgica das pessoas. Gosta de ouvir e contar histórias, sempre que pode está na/pega a/bota o pé na estrada e deseja um dia ter a sabedoria em bem enxergar o mundo.

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