Cinco coisas para não esquecer quando for mudar o Mundo

Eu andava tranquilo pela Rua do Arouche quando me vi cercado por quatro pessoas sedentas por um mero celular. A abordagem foi simples: dois vieram para cima; um me pegou pelo colarinho à minha direita, enquanto o outro tentou me cercar pela esquerda. Empurrei-os por instinto, mas eles voltaram com mais agressividade, enquanto outros dois que me seguiam vieram ao meu encontro. Fui jogado para uma porta de aço e quando me dei por mim, estava na mira de quatro pessoas e uma arma. As instruções eram cruzadas, mas claras e objetivas.

Ok. Isso seria só mais uma história de assalto. Mas não parou por aí. Em adição ao roubo do celular, o segundo em um único trimestre, conseguiram desbloqueá-lo, o que trouxe além daquele sentimento de impotência, a horrível sensação de quebra de sigilo, de privacidade. Senti-me totalmente invadido, nu. Ora, como se não bastasse tomar-me um bem, tomaram, também, minha identidade, através do aplicativo whatsapp, contatando amigos se passando por mim.

Senti-me devastado. A indignação veio junto a uma ira que não conseguia conter. Quis ir embora. Sair do país. Ouvi de tudo: “você precisa ser mais atento”, “por quê você não pega um celular mais barato?”, “pare de andar com celular por aí!”, “olha, você não sabe ter iPhone…”, etc.

Respirei fundo. Muito fundo. Eu nunca havia sentido tanto ódio por quatro pessoas. Como eles podiam ter roubado minha identidade?! Fiquei cinza, confesso. Milhões de pensamentos negativos e desmotivadores bombardeavam a cabeça e o coração.

Eu não queria nem escrever esse escrito que você está lendo agorinha mesmo. Contudo, quando a poeira baixou, o que era para ser um agente desmotivador tornou-se um catalizador para que eu enxergasse uma coisa muito clara e óbvia…

A gente fala muito sobre a corrente do bem. Sobre como uma boa ação pode instigar outras gerando uma reação em cadeia que espalha bondade pelos quatro cantos da Terra. O mundo em que vivemos tem muita coisa boa, isso é inquestionável. Há muita gente disposta a fazer o hoje e o amanhã algo sempre melhor.

Contudo, talvez quase em mesmo grau e intensidade, nos deparamos com pessoas e situações que, ao contrário do cenário anterior, estão apenas e simplesmente dispostas a desconstruir (ou ao menos tentar) os tijolinhos que a galera do bem constrói.

Isso é mais que natural se levarmos em consideração que nosso planeta é bipolar: Yin e Yang, positivo e negativo, ácido e básico, ação e reação, etc. Como se em um cabo de guerra, opostos batalham para ter o maior pedaço da corda enquanto a Natureza busca pelo singelo, apesar de complexo, equilíbrio.

Antes de sairmos por aí prontos para mudar o mundo, nosso mundo, temos de estar prontos para esse movimento negativo que nos cerca. É preciso preparar-se não só para as dificuldades que encontramos no que quer que façamos, mas também no movimento contrário ao impulso que damos todos os dias. Naquilo que nos empurra para trás enquanto forçamos nossas pernas a caminhar para frente. Afinal, precisamos estar bem conosco mesmos para que possamos ajudar e mudar o mundo exterior.

Os cinco itens que listo agora são prismas que me ajudaram a me levantar e sair dessa energia cinza que me envolveu por alguns dias:

1) Não contamine seu coração.

Independente da energia que vier contra você, é imprescindível que você não se deixe contaminar. Por mais penetrante que ela possa ser, precisamos reafirmar quem somos e por que queremos estar onde estamos.

2) Não esqueça seus valores.

Eles devem irradiar como feixes de luz o fazem desde um corpo luminoso. Se você deixa eles de lado, perde seu brilho interno, ofuscando a si próprio. Nada deve ter o poder de apagar sua luz.

3) Não mude sua perspectiva de vida.

Coisas ruins acontecem o tempo todo. Elas não podem afetar a sua visão de mundo só porque algo ruim aconteceu com você. Uma mudança deve ter um significado importante. Se não tiver, não deve ser aplicada.

4) Mantenha sua motivação intrínseca intacta.

A sua vontade de ser quem você é e de caminhar para seu objetivo atual, seja ele qual for, deve continuar firme independente de qualquer fator externo. Naturalmente, ela não se abala por agentes de fora, mas isso não a inibe de ser enfraquecida por eles. Fique sempre atento.

5) Descubra novos poderes.

Somos seres em constante mudança. Nada é estático em nossas vidas. Se você olhar para atrás, vai ver que você não é o mesmo que há quatro semanas (e nem estou me referindo apenas aos  quilinhos a mais ou a menos). Desenvolvemos novas habilidades o tempo todo. Portanto, nosso processo de autoconhecimento é eterno. Descubra seu eu novo todo dia.

Em suma, não deixe que nada rasgue sua capa de super herói. Vista-a com o orgulho corriqueiro e mude o mundo a sua volta com as ferramentas que você tem em mãos. Novos desafios e dificuldades vão sempre aparecer. O que vai fazer a diferença é como dribamo-los e fazemos do nosso dia e do nosso universo um lugar melhor.

Murilo Igarachi

Murilo Igarachi

Paulistano com descendência na Lua. É daqueles que você tem cantando sozinho na fila do metrô ou balançando as pernas como uma criança num banco de praça qualquer. Questiona tudo o que vê e busca achar um sentido para tudo, em especial para a vida e seus misteriosos mecanismos. Amante nato de natureza, apesar de ser de exatas, ama dias ensolarados e chuvas de verão. A cada duas Quintas, aparece espalhar doses de vida, amor em suas mais variantes e você, muito você. :3
Murilo Igarachi

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2 comentários

  • Letícia 30/10/2015   Reply →

    Muito bom o texto 🙂
    Eu acredito que tenha que ter o mal x bem na sociedade para equilibrar, mas a quantidade de gente ruim que tá “aparecendo” é devastadora, sem proporções..
    E olha o pior de tudo, além de ser roubado, é escutar as pessoas falando que fomos roubados porque somos descuidados, pq o celular é caro e etc..

    A que ponto chegamos, não é?

    • Murilo Igarachi 10/11/2015   Reply →
      Murilo Igarachi

      Oiee! 🙂 Obrigado por comentar e desculpe pela resposta tardia, primeiramente xD. Pois é, tem sido complicado digerir dois roubos em tão pouco tempo rs. Mas a gente vai levando, né? 😛 Infelizmente temos que ser desconfiados com tudo e com todos quando estamos na rua pois nunca sabemos à que estaremos a mercê. Mas vamos que vamos. rs <3

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