Eu me entrego em gratidão

Gratidão_Topo-Blog

O quão clichê seria começar um texto escrito quase no mês de dezembro dizendo que o ano passou voando? É, eu sei: clichezão! Mas é a mais pura verdade. Já se foram onze meses e eu só consigo pensar: onde foi que eu estive mesmo? O tempo voou e, com a correria do dia a dia e em meio a tantas críticas de “ai que ano horrível” e “acaba logo, 2015”, eu acabei me esquecendo de dizer obrigada. Não preciso dar nomes ou escrever a um destinatário para fazê-lo – se não, mais vai parecer uma carta para ser entregue na noite de ano novo. Houve uma pessoa que foi testemunha das reviravoltas de 180 graus que a minha vida deu esse ano. E que esteve por perto na alegria e na tristeza, na saúde e na doença. Literalmente.

E é por isso que eu aproveito esse clima nostálgico e sereno de ano terminando para agradecer. Agradecer os sorrisos, as palavras doces, as mensagens de boa noite e principalmente as de bom dia – porque, afinal, sonhar com coisas boas é mais fácil quando estamos de olhos fechados do que ao despertar e colocar o pé na rua. Eu agradeço a paciência, a dedicação, a compreensão, a amizade e o amor. Agradeço por não ter desistido. Por ter tentado, caído, levantado e tentado de novo. Agradeço a quem me fez ter enxergado o outro lado das coisas; por me mostrar que o caminho que eu insistia em seguir não levava a lugar nenhum. Por, então, ter me dado a mão e me guiado para o caminho certo. Eu sou grata pelas grandes atitudes dignas de cenas de cinema, tais como percorrer 100 quilômetros em uma terça-feira à noite só para me fazer companhia ou acordar muito mais cedo para trabalhar só para me encontrar o quanto antes. É claro que sou grata por tudo isso, mas também e principalmente pelas pequenas, pois é nos mínimos detalhes que enxergamos a preciosidade das pessoas por quem temos sorte de sermos amados. E em meio a todas essas coisas que podiam ter passado despercebidas, que eu percebi. E então, eu me entreguei.

Gratidão é uma daquelas palavras esquisitas que, por mais que a gente diga e repita, parecem bobagem perto do que elas significam. O mesmo vale para amor, cumplicidade, família, felicidade, esperança, sonhos… São páginas e páginas de cartas, batidas aceleradas de coração e anos de convivência resumidos em montinhos de letras aglomerados. Parecem só palavras – mas se ficarem da boca para fora ou da caneta pro papel, nada significam. Ser grato não é dizer “obrigado”. Gratidão é coisa para ser mostrada, não para ser dita. Ser grato a alguém que te ama e que tem feito tudo por você é se entregar, é se jogar, é tentar fazer pela pessoa pelo menos um pouquinho do que ela fez por você. E é por isso que, hoje, eu me entrego. Eu me entrego em gratidão.

Mariana Toledo

Mariana Toledo

O sorriso é sua marca registrada. Vive com a cabeça borbulhando ideias e novos projetos, lamentando o dia ter apenas 24 horas. Sensível, chora mais de alegria do que de tristeza. Sua capacidade em lembrar memórias de infância é invejável, não deixando escapar aromas e sensações. Professora, gosta de escrever, cantar, dançar e atuar – nada profissionalmente – seu palco é mesmo a sala de aula.
Mariana Toledo

Últimos posts por Mariana Toledo (exibir todos)

Experimente também

Por que a vida que eu não queria é a que me deixa mais feliz?

Por Carla Mereles

Sou da teoria de que quando menos, declaradamente, queremos algo, este algo nos acontece. Indubitavelmente isso acontece comigo. Quando penso em tudo […]

Ambição, ego e frustração: pequenos grandes estigmas da Geração Y

Por João Vítor Krieger

Ambição infinita, ego inflado e poços de frustração: a geração nascida entre o final dos anos setenta e metade dos […]

Degustando...