Da sintonia do encontro

Era feriado nacional e, para completar, meu primeiro final de semana oficial de férias. Para começar, uma viagem para o Rio de Janeiro, marcada meio que por acaso: eu havia comprado as passagens sozinha por conta de uma promoção imperdível; uma das minhas melhores amigas, daquelas das antigas, da época da escola, resolveu aproveitar o desconto também; aí, minha melhor amiga de faculdade, que nunca havia ido ao Rio, se empolgou com a ideia e decidiu ir também. Uma semana antes de viajarmos, descobri que outra amigona minha estaria na cidade na mesma data, a trabalho. Então, seria isso: uma viagem para um dos meus lugares favoritos no mundo (ai, Rio…), com as minhas três melhores amigas no mundo. O único possível problema é que elas ainda não se conheciam entre si. Eu era basicamente o único elo que ligava esse grupo. E se não desse certo? E se elas simplesmente não fossem uma com a cara da outra? E se não encontrássemos assuntos em comum, gostos parecidos ou quiséssemos fazer coisas diferentes durante o feriado? A última coisa que eu precisava para as minhas férias era uma viagem-climão. Enfim. Arrumei minha mochila, torci para dar tudo certo e embarquei rumo à cidade maravilhosa.

No primeiro dia, um sábado, o grupo ainda era formado por três meninas – a outra estava em São Paulo trabalhando e chegaria só no dia seguinte. Então fomos para uma festa – música boa para dançar, alguns drinks e o cenário divertido da Estação Leopoldina pareciam a receita ideal para fazer esse encontro dar certo. E como deu: ainda na porta, antes de entrar, já estávamos dando risada juntas e se entendendo com o olhar como se fossemos, as três, amigas de anos e anos. E o dia seguinte foi melhor ainda: começamos com um café da manhã no estilo coma-o-quanto-puder na incrível Confeitaria Colombo, com direito a muitos pães, frios, geleias, suco, chocolate quente, café com leite e muitos ataques de riso entre um lanchinho e outro, passamos por uma tarde de sol, areia, chá mate e biscoito Globo na praia de Ipanema e acabamos a noite em uma festa maluca na Mansão Botafogo. Não me lembrava quando havia sido a última vez que tinha dançado tanto, dado tanta risada e me divertido tanto quanto naquele dia. A viagem então acabou na segunda-feira, com nós quatro dividindo uma canga embaixo de um guarda-sol, comprando pulseiras iguais do vendedor da orla, dividindo segredos e falando sobre assuntos sobre os quais não nos sentíamos à vontade para falar com mais ninguém. Tudo isso contemplado pelo pôr do sol do Leblon.

Alguns chamam de coincidência; Eu chamo de destino. Acredito que existam pessoas no mundo predestinadas a se encontrarem e se tornarem amigas. Só isso explica tamanha sintonia. Às vezes, convivemos anos e anos com pessoas com quem nunca conseguimos ultrapassar aquela linha da cordialidade – isto é, somos educadas umas com as outras, conversamos sobre amenidades e até gostamos de estar juntas, mas nunca chegamos de fato a ser verdadeiramente amigas. Porém, em outros casos, como nesse contado aqui em cima, poucos minutos são suficientes para sentirmos como se conhecêssemos aquelas pessoas há muito tempo – como era mesmo a vida sem elas?, nos perguntamos. E se alguém ficou curioso para saber, a resposta é sim, ainda somos muito amigas. Escrevo esse texto enquanto espero dar o horário de encontrá-las, aliás. E aproveito para agradecer a vida, o destino e o acaso por esse encontro. Por essa amizade tão sincera, livre de julgamentos, preconceitos ou formalidades. Se foi culpa do sol, do céu, do mar ou da areia, eu não sei. Só sei que a vida é mais feliz por conta desse encontro.

Mariana Toledo

Mariana Toledo

O sorriso é sua marca registrada. Vive com a cabeça borbulhando ideias e novos projetos, lamentando o dia ter apenas 24 horas. Sensível, chora mais de alegria do que de tristeza. Sua capacidade em lembrar memórias de infância é invejável, não deixando escapar aromas e sensações. Professora, gosta de escrever, cantar, dançar e atuar – nada profissionalmente – seu palco é mesmo a sala de aula.
Mariana Toledo

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