Fonte: Graham Franciose (www.grahamfranciose.com)

Soprando velinhas

– por Celso Alves

Do 1 aos 3 anos, precisei de ajuda para soprar as velinhas. Aos 4, como o homenzinho que era, apaguei elas sozinho. Aos 5, inaugurei os desejos pedindo um boneco dos Cavaleiros do Zodíaco – o de ouro de sagitário. Aos 6, uma bola. Aos 7, uma bicicleta sem rodinhas. Talvez não nessa ordem, talvez pedindo todos em cada ano.

Aos 8, sabendo que a vida possui um fim, pedi vida eterna para mim, minha família e amigos. Aos 9, desejei ser o melhor goleiro do Santa Teresinha. Aos 10, que o Brasil não passasse por uma humilhação como a da copa de 1998 – não se realizou. Aos 11, queria que fossem mais legais comigo na escola. Aos 12, que me deixassem em paz, só isso.

Aos 13, sabendo que a vida eterna não existe, pedi saúde para mim, minha família e amigos. Aos 14, que eu passasse na prova do Cefet – passei. Aos 15, deixar os novos colegas em paz e parar de fazer tanto bullying.

Aos 16, uma namorada – demorou a vir. Aos 17, passar no vestibular. Aos 18, passar no vestibular – devo ter soprado errado um ano antes. Aos 19 e 20, sucesso profissional; que tipo de calouro pede uma coisa dessas? Não sei, mas deu certo.

Subi alto, quebrei a cara e aos 21 desejei que meus cabelos parassem de cair. Aos 22, que eu tivesse mais festas e momentos para celebrar. Aos 23, que as festas continuassem. Aos 24, uma cirurgia no joelho, mas foi o pedido dos 16 anos que se realizou. Aos 25, um mochilão. Deu certo, e os 26 eu comemorei na estrada, pedindo para rever todo mundo que amava.

Hoje, aos 27, peço que alguém tombe a ampulheta do tempo para que ele passe mais devagar. Ou, apenas, que os 28 demorem a chegar.

 

Além do Uma Boa Dose, Celso Alves também escreve para o crônico.

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