As luzes de natal

Ela está sentada num banquinho castigado pelo tempo, ao fundo as luzes de natal piscam. Ela nem sabe, mas, para mim, a única luz é ela. E tudo pisca dentro de mim.

Fico ali só observando; o universo congelou. A fonte de calor que irradia dela me faz acreditar que, talvez, ela sozinha consiga amolecer as juntas enferrujadas desse lugar. Tudo move tão vagarosamente quando ela está por perto. Tudo é um enorme background, bem longe. Distante de mim. Não tenho certeza, acho que ela controla a física, ou a desafia sem medo algum.

Ela me dá um sorriso. Eu ganho o mundo. Será que ela sabe? Será que ela entende o que está acontecendo? Será que ela está ouvindo a orquestra no meu peito? Rapidamente, ela desvia olhar e reprime um sorriso. Acho que ela ouviu o zoológico que corre livremente no meu estômago.

A minha mente viaja: 1000km/h. Queria que todo dia fosse natal. Queria que esse momento durasse uma vida inteira. Queria desafiar a física também, distorcer o tempo, fazer os segundos durarem horas. Queria ser o vento acariciando seu rosto e bagunçando seus cabelos. Queria ser as luzes de natal que brilham incessantemente e refletem nela.

Ela se levanta, começa a caminhar lentamente. Pode ser apenas um sonho, mas ela vem em minha direção. Olha-me nos olhos. Posso jurar que eles dizem uma só coisa: eu vejo você.

É natal. E eu encontrei a felicidade.

Ingrid Tanan

Ingrid Tanan

A Ingrid é a moça dos sorrisos com covinhas e das bochechas rosadas. Ela aprecia um bom livro e, mais ainda, uma longa conversa sobre ele. Apaixonada por design, música, Friends, marshmallow, Tim Burton, cadernetas, postais e post-its. Acredita que escrever é seu momento – é poder estar consigo e refletir sobre o finito e infinito. Você pode encontrá-la em qualquer livraria de São Paulo ou às sextas aqui no Uma Boa Dose.
Ingrid Tanan

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