Por uma vida sem filtros

  • foto texto celular

    Fonte: Tumblr

Eu não seria hipócrita a ponto de dizer que condeno as redes sociais. Muito pelo contrário. Eu as uso para caramba, todos os dias, por quase todas as horas em que estou acordada. Reconheço suas vantagens e possibilidades de facilitar a comunicação entre as pessoas e tornar o nosso dia-a-dia mais prático. Mas no topo da minha lista de resoluções para este novo ano está justamente isto: desapegar do celular e viver uma vida menos conectada. O que significa, automaticamente, prestar mais atenção ao meu redor e curtir de fato as coisas boas que muitas vezes me passam despercebidas – em vez de ficar só curtindo fotos digitalizadas.

Nesse período de final e começo de ano, eu não viajei, portanto,  passei um bom tempo ocioso em casa, e por isso acabei gastando algumas horas online. Durante esse período, me surpreendi ao perceber o quanto as pessoas, por mais que estivessem em lugares incríveis, não largaram seus celulares por um dia sequer. Vi gente em Fernando de Noronha postando fotos no Instagram de hora em hora. Grupos de amigos em Trancoso, debaixo de um sol maravilhoso, mais preocupadas com uma obrigação inventada de mostrar tudo o que estava acontecendo pelo Snapchat do que com outras obrigações, essas, sim, mais necessárias, como deitar na areia e descansar, nadar no mar até os dedos enrugarem, sentar num quiosque e tomar uma boa água de coco… Ninguém se preocupou em apenas desfrutar da arte de não fazer nada. Pela tela do celular, viajei o mundo nessas férias. Pra quem fica aqui observando, claro, é até divertido. Mas será que pra quem fica fazendo essa cobertura em tempo real isso é legal também? Por mais que as fotos e vídeos publicados por essas pessoas, à primeira vista, fossem de fato muito bonitos e dignos de causar inveja, se repararmos bem, tudo soa como artificial, e essa aparente e súbita inveja logo desaparece. Poses nada espontâneas, sorrisos forjados, momentos de diversão planejados. Quem nós estamos tentando enganar, afinal? Diria que somente a nós mesmos.

Por isso, fica aqui o meu manifesto para 2016. Que a gente esteja mais conectado com o mundo à nossa volta do que com os nossos smartphones. Que aproveitemos a realidade sem filtros — a não ser o filtro solar. Que busquemos sorrisos sinceros em vez de likes. Que estejamos mais preocupados em aproveitar o momento honestamente do que em mostrar para os outros o quanto estamos felizes. Que deixemos um pouco as aparências de lado para nos lembrarmos de que o mais importante é o que tem dentro, e não fora. Até porque, aparências enganam – aos outros e principalmente a nós mesmos. Prontos para um ano mais offline?

Mariana Toledo

Mariana Toledo

O sorriso é sua marca registrada. Vive com a cabeça borbulhando ideias e novos projetos, lamentando o dia ter apenas 24 horas. Sensível, chora mais de alegria do que de tristeza. Sua capacidade em lembrar memórias de infância é invejável, não deixando escapar aromas e sensações. Professora, gosta de escrever, cantar, dançar e atuar – nada profissionalmente – seu palco é mesmo a sala de aula.
Mariana Toledo

Últimos posts por Mariana Toledo (exibir todos)

Experimente também

Tomar partido e outros Negócios da China

Por João Vítor Krieger

“Mas e aí, você é de esquerda ou de direita, então?” Tem que se posicionar, meu caro. O mundo gira, […]

Do pó e sonho solúvel

Por Bruna Estevanin

O relógio na parede da cozinha marcava sete e vinte e dois quando Luísa levantou da cama. As curtas e […]

2 comentários

  • Ulalah Mundo 08/01/2016   Reply →

    Acredito que largar as redes sociais sejam uma decisão dificil na atualidade. Mas que possamos equilibrar isso tudo de uma maneira saudavel para nós mesmos 😀

    Beijos e até mais,
    Jayane Fereguetti
    http://www.ulalahmundo.com

  • Lari Reis 19/01/2016   Reply →

    Realmente, as redes tem suas vantagens e hoje – em função da profissão- eu vivo delas. Talvez também por estar tão imersa inclusive quando não quero foi que comecei a dar mais valor aos momentos em que eu poderia escolher estar ou não conectada. Aos poucos, vou largando as redes um pouco. Não é fácil, mas é um exercício realmente válido. O mundo real parece estar ficando distante de nós e não deveria ser assim…! Por um 2016 com menos filtros e mais desconectado 🙂

Degustando...