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Vamos baixar as expectativas

Quando ingressei no mercado de trabalho, no início de 2005, tinha muitas expectativas de como seriam as tarefas, meu relacionamento com as pessoas e com o dinheiro que eu ganharia. Trabalhar sempre foi uma parte muito importante de quem eu sou e eu sempre criei muitas expectativas em relação à profissional que gostaria de ser. Com o passar dos anos e das diferentes atividades que eu me envolvi, sempre encontrei o dilema expectativa x realidade, e posso dizer que em grande parte a frustração levou a melhor.

Quando ouvi a primeira vez que devemos fazer o que amamos, me questionei ansiosamente “o que eu amo?” e não soube responder. Depois de um tempo a questão passou a ser “o que eu posso amar?”, novamente não consegui encontrar uma resposta que aquecesse meu coração (como eu esperava que o amor deveria ser).

Cansada de tentar achar uma resposta, comecei a chegar em conclusões bem inadequadas, a primeira foi que “não posso amar o que eu não conheço”. E isto me gerou mais ansiedade, como se eu tivesse que conhecer e vivenciar tudo e o espaço de uma vida não fosse suficiente. A segunda foi o início de outros questionamentos: “eu sei amar?”.

Criar expectativas e amar o que faz, dois apontamentos que podem parecer distantes, mas eles se conectam de uma forma interessante. Acredito que no fim, nos apaixonamos pelas ideias, pela expectativa do que imaginamos ser a experiência. As conclusões (e exemplos dados) são de um viés profissional, mas isso pode ser facilmente expandido para várias áreas da vida.

A frustração será sempre o resultado de uma expectativa distorcida, por sua vez baseada numa realidade não vivenciada. Mas o que fazer? Como reprogramar nossa cabeça para evitar as decepções, mas ainda assim se manter motivado? Estaria mentindo se dissesse que tem uma resposta simples para isso. A realidade é que cada um tem seu caminho para trilhar, único e intransferível. O que pode ser assustador ou maravilhoso, depende de qual ponto de vista queremos ter.

Mas quero acreditar que possuímos mil e uma possibilidades. É importante considerar algumas coisas indispensáveis como, por exemplo, ter um sustento que permita sonhar e firmar valores que serão as bases das escolhas. A partir disso, mudar de “vida” quantas e tantas vezes forem necessárias. Se permitir viver experiências e descobrir aos poucos, não apenas o amor, mas todos os sentimentos que envolvem uma vida plena.

Em resumo, vamos baixar as expectativas e descobrir o gosto do surpreendente.

Gabe Hansel

Gabe Hansel

Uma criança curiosa, uma adulta filosofa, uma adolescente rebelde e uma senhorinha alegre e contadora de piadas. Poderia ser a sinopse de um filme brega, mas é só um resumo das múltiplas personalidade dessa publicitária e atual estudante de administração pública. Gabe tem vícios em Youtube, Netflix, coisas belas, conhecimento, pessoas e mudanças. Aqui no Uma Boa Dose encontra espaço para refletir sobre a vida, amores, histórias e experiências, e ama compartilhar tudo isso com vocês.
Gabe Hansel

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