Deixa ir

Ninguém gosta de finais. Seja dos mais simples e corriqueiros do nosso dia a dia, como do fim do sono quando o despertador toca, o último gole daquele café quentinho ou o restinho de shampoo que acaba no meio do banho, até dos finais complexos e mais desagradáveis, como o fim de um relacionamento, de um trabalho ou de um longo período morando numa região querida. É desses finais que eu quero falar aqui.

O fim de uma coisa boa pode indicar o início de uma melhor ainda, mas, até nos convencermos disso, leva tempo. E não é fácil. Quando o fim significa uma quebra da rotina da qual você estava acostumado. O mergulho de cabeça num novo universo, ainda desconhecido, é assustador mesmo.

Por conta desse medo e da sensação desagradável que qualquer fim causa, é normal que a gente tenha dificuldade em dar por encerradas determinadas etapas da nossa vida. Sem perceber, começamos a agir naquele famoso estilo “empurrando com a barriga”, que não é bom nem para você nem para quem está envolvido na história. E aí ficam os questionamentos: até que ponto vale a pena permanecer em uma situação que já não te faz bem por medo de desapegar? Por receio do que vai acontecer assim que a página for virada?

Adiar essa tomada de decisão é ilusoriamente seguro. Digo ilusoriamente porque nos deixa presos à falsa sensação de que temos todo o tempo do mundo. E não, não temos. O nosso tempo tem que ser gasto com o que vale a pena. Porque a verdade é que ele não volta. E aí, mais pra frente, haja paciência para lidar com o arrependimento de ter gastado esses tão precisos dias – ou meses, até anos – com coisas que não faziam mais sentido e claramente não tinham mais lugar na nossa vida.

Deixa ir. E se, não der certo, deixa voltar. Nada é definitivo – nem mesmo os finais.

Mariana Toledo

Mariana Toledo

O sorriso é sua marca registrada. Vive com a cabeça borbulhando ideias e novos projetos, lamentando o dia ter apenas 24 horas. Sensível, chora mais de alegria do que de tristeza. Sua capacidade em lembrar memórias de infância é invejável, não deixando escapar aromas e sensações. Professora, gosta de escrever, cantar, dançar e atuar – nada profissionalmente – seu palco é mesmo a sala de aula.
Mariana Toledo

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