A lâmpada apagada

Por mais de um mês sofro um grave bloqueio criativo. Vários escritos começam sem ter um fim. Retalhos e mais retalhos de parágrafos desconexos; uns engraçados, outros mais tristes… Todos sem nenhuma ligação, nada que os prenda a algo, a alguma coisa.
E é exatamente este sentimento que tenho tido atualmente: não pertencer a nicho algum.
Pode até soar pretensioso, como se eu quisesse me fazer especial demais para me enquadrar em algum grupo, mas é exatamente o contrário. Meu grande problema é achar que posso fazer parte de qualquer um – Ah, permita-me corrigir-me! Não de qualquer um, mas de boa parte deles.
Certamente você já passou por aquela fase na qual tudo fica nebuloso, como se uma densa névoa empestasse seu campo de visão. Sem direção, o coração bate mais forte e receoso, a garganta seca. Sua respiração se intensifica a ponto de você se sentir entorpecido. Você percebe que está respirando muito rápido, não aproveitando todo o oxigênio inalado.

Há pouco, selei meu destino – fiz uma escolha decisiva que vai mudar minha vida por completo.

Agora, independente do que eu faça, certos acontecimentos irão se suceder. Não há regresso ou passos para trás a serem tomados.
São nesses momentos que você descobre sua força motriz. O que você, de fato, precisa fazer para seguir adiante.
Às vezes, a Vida não vai deixar você manter sua inércia. Coisas vão acontecer que, para o bem ou para o mal, obrigarão você a sair do ponto morto e engatar a primeira. Não vai ter jeito, cara.
Quando acontecer, esteja preparado. E quando digo para estar preparado, quero dizer para não focar no problema. Eu faço isso sempre e garanto: acabamos dando voltas e voltas sem sair do lugar.

Busque primeiro resolver a situação e depois investigar a causa raiz. Quando o norte aparecer, agarre-se a ele.

Cada passo, a partir de agora, é crucial para o que quer que venha pela frente.

Se tudo der certo, terei feito as escolhas certas.
***
Abaixo, compartilho um escrito que publiquei há 3 meses na minha página pessoal. Lendo-o hoje, sinto como se eu mesmo o tivesse escrito pensando que serviria como conselho para meu “Eu” do futuro.
É por essas e muitas outras que, cada vez mais, acredito que a Vida é um organismo vivo, complexo e fascinante.

A vida seguramente não é apenas sobreviver. Fato.
“Se, porventura, num futuro qualquer, você se deparar com uma bifurcação que possa te levar a retomar uma escolha já feita no passado – sei lá, uma chance dois – tem que ficar claro que a situação vai ser outra: você é outra pessoa a cada dia novo.

Ter a chance de fazer uma segunda escolha não significa necessariamente voltar atrás ou repetir uma história.
Coisas da vida.
Aceite o que está inerente aquilo que você mesmo escolheu. Respeite isso.

Não fazê-lo é mostrar-se ingrato às próprias decisões.

E acredite: isso sempre pesa algum dia.
Nem sempre é fácil.

Aliás, poucas vezes é.
A verdade é que nem todos os dias são só de flores.
Mas… No fim das contas… O que é?”
Até a próxima
😉

Murilo Igarachi

Murilo Igarachi

Paulistano com descendência na Lua. É daqueles que você tem cantando sozinho na fila do metrô ou balançando as pernas como uma criança num banco de praça qualquer. Questiona tudo o que vê e busca achar um sentido para tudo, em especial para a vida e seus misteriosos mecanismos. Amante nato de natureza, apesar de ser de exatas, ama dias ensolarados e chuvas de verão. A cada duas Quintas, aparece espalhar doses de vida, amor em suas mais variantes e você, muito você. :3
Murilo Igarachi

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