Modo imperativo

Mesmo que o português não tenha sido sua matéria preferida na escola, de alguma maneira você já ouviu falar do “modo imperativo”. Uma forma verbal que se designa a uma ordem, um pedido ou uma sugestão. Mas mais interessante que estudar apenas o português como uma matéria de provas ou um conhecimento a parte da realidade, é analisar o comportamento das pessoas em relação a maneira como fazem uso do nosso amado idioma.

Eu me

Crédito: @eumechamoantônio

Eu poderia julgar comentar sobre as construções frasais e formas de expressão de muitas maneiras, mas hoje vou me limitar a falar sobre uma das mais irritantes. Mesmo que de muitas maneiras o uso do imperativo tenha um efeito benéfico, como o de impor certos limites, ele também pode trazer alguns problemas com os “salvadores de vidas alheias” de plantão.

Todos temos alguém que está sempre distribuindo conselhos, você não explicou nem a metade da situação e a pessoa já está discursando altas dicas que vão resolver a sua vida em 5 segundos. A boa e velha prática de perguntar antes de falar ficou ultrapassada, o importante é aconselhar! Chamo isso, carinhosamente, de “febre do imperativo”.

“Estou com uma situação muito tensa no trabalho, o Fulano anda muito difícil de lidar…”, comenta alguém inocentemente. “Aahhh, mas você deve falar com o seu chefe, porque as coisas têm que se resolver ‘assim e assado’. Faça o que eu digo, vai por mim! ”, já soluciona o ‘ajudador’.

Não, amigx. Eu não devo nada, nem fazer nada, nem querer nada, nem dever nada a ninguém. Talvez você possa colocar algumas interrogações nas suas falas, o que acha? Porque se preocupar com alguém é compreender antes de tudo, e mais nada, quais são as motivações e angustias, buscar simpatizar com as dúvidas ou apenas escutar.

É muito fácil chegar carregado palpites e soluções, como bons “livros de autoajuda”, difícil é compreender que tem dias que as pessoas só querem desabafar, reclamar um pouco, encher você de perguntas retóricas. A esperança que todos temos é que, de vez em quando, encontraremos alguém para se sensibilizar com nossos desprazeres, sejam eles mundanos ou profundos.

Por isso, cá está uma reflexão amiga. Uma vez que outra, ou sempre, se preferir, seja mais ouvindo do que boca. E quando questionado, questione também. E em caso de necessidade extrema, aconselhe “confortantemente”.

Gabe Hansel

Gabe Hansel

Uma criança curiosa, uma adulta filosofa, uma adolescente rebelde e uma senhorinha alegre e contadora de piadas. Poderia ser a sinopse de um filme brega, mas é só um resumo das múltiplas personalidade dessa publicitária e atual estudante de administração pública. Gabe tem vícios em Youtube, Netflix, coisas belas, conhecimento, pessoas e mudanças. Aqui no Uma Boa Dose encontra espaço para refletir sobre a vida, amores, histórias e experiências, e ama compartilhar tudo isso com vocês.
Gabe Hansel

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