Escrever

libertador

 

Confesso que eu não lembro com detalhes como as coisas aconteceram, a Ana (fundadora do blog) me convidou para fazer algumas artes para o Uma Boa Dose, mas naquele exato momento minha vida estava meio conturbada. Assim que a poeira baixou voltei a falar com ela e comecei a fazer alguns projetinhos. Eu admirava ela, o blog, as pessoas envolvidas, a iniciativa e, em especial, as ideias que queriam transmitir.

 

As vindas e idas e as reviravoltas que a vida deu acabei querendo um tempo afastada das artes. Partindo de escritas esporádicas perguntei se poderia escrever com mais frequência e a Ana aceitou, sou muito grata a isso, mudou tudo.

 

Escrever é uma arte delicada. É um campo aberto para interpretações, nuances, críticas, diferentes técnicas, opiniões, erros e acertos. O cursor fica piscando na tela com a folha em branco, a partir da primeira palavra qualquer coisa pode acontecer. Um texto que se escreve nunca é apenas um texto, tem sempre um pouco de alma. Eles geram conexões inesperadas com as pessoas, abre espaço para pensamentos que não teriam outro lugar onde se manifestar.

 

Para as pessoas que pensam demais, com uma confusão de reflexões na cabeça, escrever é a maneira de dar forma às ideias. Schopenhauer diz em “A arte de escrever” que “a vida autêntica de um pensamento dura até ele chegue ao ponto em que faz fronteira com as palavras: ali se petrifica, e a partir de então está morto, entretanto é indestrutível”. Apesar da ótica meio pessimista dele, mostra uma reflexão sobre o porquê falar e, principalmente, escrever gera a sensação tão grande de maior compreensão maior da vida.

 

As pessoas me perguntam se eu não me sinto exposta escrevendo e colocando minhas ideias no mundo. Não, porque na vida tudo é costume. Eu sempre busquei um lugar pra me expressar e eu encontrei aqui o lugar perfeito. A ideia de grupo me agrada muito, as que escrevem aqui me inspiram muito. A convivência, mesmo que online, com elas faz com que eu escreva com mais confiança, o feedback dos que lêem me ensina a por mais personalidade nas ideias e a prática permite que cresça cada dia mais vontade de estar aqui.

 

Escrever me ajudou a ler mais, pesquisar universos diferentes, conhecer mais palavras e significados. Às vezes a inspiração escapa, a folha fica vazia, vários textos estão pela metade, a dúvida sobre a originalidade bate. Encontrar uma música ou um silêncio para acompanhar o digitar no teclado nem sempre é fácil. Ainda assim, escrever me fez conhecer bem mais de mim e, junto com alguns outros fatores, foi um marco para que eu caminhe em direção a vida que eu desejo e a pessoa que eu quero ser.
Este texto é – mais um – deslanchar de ideias e desabafo de coisas boas que sinto. Sinta-se convidado a escrever também.

Gabe Hansel

Gabe Hansel

Uma criança curiosa, uma adulta filosofa, uma adolescente rebelde e uma senhorinha alegre e contadora de piadas. Poderia ser a sinopse de um filme brega, mas é só um resumo das múltiplas personalidade dessa publicitária e atual estudante de administração pública. Gabe tem vícios em Youtube, Netflix, coisas belas, conhecimento, pessoas e mudanças. Aqui no Uma Boa Dose encontra espaço para refletir sobre a vida, amores, histórias e experiências, e ama compartilhar tudo isso com vocês.
Gabe Hansel

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