Bruna Estevanin

Bruna Estevanin

Bruna é uma jornalista inquieta que adora ouvir histórias e nunca recusa um convite para jogar baralho. Acredita mais em ações que em palavras e as pessoas que enrubescem quando estão envergonhadas são as suas favoritas. Nas horas vagas, ela inventa teorias sobre comportamento humano, rabisca uma ideia e outra e coleciona guardanapos.

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Tem no Netflix?

Noite dessas, não faz muito tempo, conversava com um amigo (jornalista, claro) no Facebook sobre o fenômeno “Stranger Things” – e, se você ainda habita este planeta, já ouviu falar desse seriado. Ele me contou que, sob recomendação da chefia, tinha começado a assistir Veronica Mars, uma finada série de 2004, e que estava gostando […]

Vagalumes

Não me lembro muito bem do vô Antônio. Não sei se ele usava chinelo Rider ou sandália de couro, se gostava de música, de ler ou se tinha feito outra coisa da vida que não fosse torrar café, mas me lembro com precisão do que dia em que ele morreu. Da mamãe me deixando na casa da […]

1997

Lá em casa, presente de Natal é coisa séria. Talvez não seja intencional, mas os melhores sempre chegaram via Papai Noel e, mais tarde, quando as crenças infantis já não me bastavam, pelo correio. Foi no Natal que ganhei minha primeira bicicleta sem rodinhas, a Barbie Ginasta e a coleção inteira dos livros “Desventuras em […]

Para entender, olhe as esquinas

Quando desci na rodoviária Tietê, eu não sabia. Não sabia se iria ficar, se iria dar certo, se iria ser difícil pra burro ou se iria tirar a cidade de letra. Passeei os olhos sonolentos pelos corredores lotados e pela fila do metrô que, se ainda não fosse quilométrica, faltava pouco. Era gente de todo […]

Sobre ser jovem o suficiente

Quando tinha 16 anos, li um livro que me marcou muito (literalmente). Ganhei “O Dia do Curinga” de presente e, naquela mistura de ficção infanto-juvenil com filosofia, refleti durante as tardes de Ensino Médio sobre o propósito da vida. O livro contava a história de uma ilha mágica formada por cartas de baralho. Na ilha, […]

A maternidade explicada em barras de cereal

  No último feriado, o ônibus que volta de Miracema para São Paulo atrasou quase duas horas para chegar. Fiquei sentada no carro matando tempo e conversando com a minha mãe sobre a vida até que ela me interrompeu e perguntou: “Tá levando barrinha de ceral?”. Demorou dessa vez, pensei. A pergunta é clássica e […]

Conversas com Galeano

  Nossa primeira conversa foi em 2010. Nos esbarramos entre as estantes da Saraiva, ainda em Juiz de Fora, em tempos de faculdade e de esperança latente de mudar o mundo. Nos olhamos num flerte gostoso, mas deixamos passar, como quem sabe que o que demora vem com mais gosto.   Meses mais tarde, ele […]

A grande fabrica de nós

Quando eu era mais nova, achava que conversar era como se fosse uma brincadeira de adulto. Uma brincadeira bem chata, inclusive. Não entendia que graça as pessoas grandes viam em um jogo tão desinteressante. Falavam por horas e horas a fio e se irritavam quando alguma criança desavisada, como eu, as interrompia. “Que chato”, pensava, segurando […]

um pulmão chamado janeiro

Janeiro é um mês esquisito. Aqui, no hemisfério Sul, começa misturando suor e filtro solar com planos pro ano novo e termina com brasileiros lambuzados de expectativas e loção pós-sol. É o auge do verão. O mundo é mais feliz, mais animado, mais brilhante, mais efusivo e definitivamente mais quente. As faixas de areia, mais […]

A hora do recreio

Helena sonhou que deixava os sonhos esquecidos numa ilha. Claribel Alegria recolhia os sonhos, os amarrava com uma fita e os guardava bem guardados. Mas as crianças da casa descobriam o esconderijo e queriam vestir os sonhos de Helena, e Claribel, zangada, dizia a eles: – Nisso ninguém mexe. Então Claribel telefonava para Helena e […]

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