Uma Boa Dose

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São Domingos

– por Daniely Duarte Não me lembro de entrar. Perdida no ar do som dos pedidos de muitas Marias a uma Senhora, estive em mim quando reparei as cicatrizes das paredes. Em busca de contemplar o encontro nas costas de quem procura, pedi para me sentar ao fundo. A mão esquerda me puxou, enquanto a […]

Senhora Vânia,

– por Daniely Duarte   Nós não somos insubstituíveis. Enquanto estamos aqui, a gravidade se torna reversa. Quanto mais graves os fatos, maior é o clamor por levantar. Levantemos, então! Está na hora de ir. Minhas malas estão prontas e eu não vou te esperar. Nossos caminhos nunca foram os mesmos. Apenas veio a calhar […]

Vem que eu te conto

– por Daniely Duarte Às vezes, pergunto-me se é bom ser assim. Pergunto-me se é bom não ser posse de um lugar ou não ser dono de algum. Não consigo responder. Apenas me lembro de que o dono do mundo não tem o mundo. Tem nada além do sentimento de participar de algo que observa. […]

lat mutare

Mudar. Do verbo colocar o passado no mudo e ouvir o som do presente. Da escolha de plantar uma, e não outra, semente. De aprender a escutá-la crescer, muda. Do compasso da dança. Balança. Aponta seu eixo para as estrelas. Mudança. Da cena estranha. Do frio que entranha. Da bússola certa, virada pra trás. Dos […]

Breve história das cores

– por Daniely Duarte Olhando para o céu, descobri que a minha fé é azul. As cores não existem por si. Vivemos em um universo em que as matérias podem ter diferentes tipos de pigmentos, que refletem a luz branca de determinadas maneiras e fazem com que, sozinho, nosso mundo seja invisível. As cores não […]

O amor nos tempos do wi-fi

– por Celso Alves Enquanto você me lê, juras de amor roçam seus dedos, segredos safados acariciam sua nuca e desculpas chorosas se derramam sobre suas orelhas. Ao diluir a internet em wi-fi e três g, expandimos o amor, sem danificar sua cor ou viço. Pelo ar circulam códigos de zero e um que contam […]

Soprando velinhas

– por Celso Alves Do 1 aos 3 anos, precisei de ajuda para soprar as velinhas. Aos 4, como o homenzinho que era, apaguei elas sozinho. Aos 5, inaugurei os desejos pedindo um boneco dos Cavaleiros do Zodíaco – o de ouro de sagitário. Aos 6, uma bola. Aos 7, uma bicicleta sem rodinhas. Talvez […]

Momentos Diários

– por Celso Alves O cobrador da estação perto de casa é um tiozinho bonachão, gente boa e de riso fácil. Conta piadas pra si mesmo e, se alguém mais rir, tá valendo. Quase sempre está comendo um sanduíche ou tomando café, presente dos moradores e comerciantes que passam por perto. Ora tem o cabelo […]

Ode à Jabuticaba

  – por Celso Alves Estava eu tranquilo vendo TV antes da rotina banho-elevador-ônibus-trabalho quando surgiu o comercial de um novo iogurte sabor maçã e blueberry. Desgrudei do sofá e perguntei pra tela: mas e a jabuticaba? Os outros sabores até eram mais nossos  – de maracujá e melancia também – mas minha frutoxenofobia apitou […]

Cresça uma barba!

  – por Paulo Queiroz   No mês de novembro alguns homens – quem sabe até mulheres né, nunca se sabe – participam de um evento mundial conhecido como no shave november. O objetivo deste movimento é que os participantes, como o próprio nome sugere, não façam a barba – sinal de masculinidade – no período do décimo […]

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